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Em duas semanas, Trump sofre derrotas nos EUA e na América Latina

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Reveses de Trump ameaçam influência dos EUA na América Latina (Foto: Instagram)

Disposto a recuperar a influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, o presidente Donald Trump acumulou ao menos três reveses nas políticas interna e externa nas últimas duas semanas. As derrotas ameaçam a estratégia de seu governo de retomar a presença norte-americana na América Latina.

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Nos últimos dias, Trump perdeu a maioria no Congresso dos Estados Unidos, em uma derrota histórica nas eleições de meio de mandato que pode comprometer os dois anos finais de seu governo. O republicano também enfrentou reveses políticos e eleitorais em países latino-americanos, que agora colocam em risco o êxito da chamada “Doutrina Donroe”.

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DOUTRINA “DONROE”

  • “Donroe” combina Donald (Trump) e Monroe, em alusão à histórica Doutrina Monroe, do século 19.
  • A política externa do então presidente James Monroe defendia uma “América para os americanos”: barrava a influência de outras regiões na América Latina e ampliava a presença dos EUA no território.
  • De volta à Casa Branca, o atual presidente dos Estados Unidos adotou uma política externa semelhante à de Monroe, com o objetivo de recuperar a influência norte-americana em países latinos e reduzir a presença da China na região.
  • O republicano tem buscado restaurar essa influência por meio da aproximação com líderes de direita da região.

PERDA DE INFLUÊNCIA NO BRASIL

O primeiro revés ocorreu em 25 de outubro, quando milhões de brasileiros foram às urnas para escolher o novo presidente do Brasil no segundo turno das eleições.

De um lado da disputa estava Flávio Bolsonaro (PL), cuja família mantém laços com o atual presidente norte-americano; do outro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve desentendimentos com o republicano nos últimos meses.

Trump não declarou apoio direto ao candidato do Partido Liberal (PL).

Ainda assim, interlocutores da Casa Branca viam uma eventual vitória de Flávio na maior potência da América Latina como uma oportunidade para ampliar a influência dos Estados Unidos na região, diante da convergência política entre Trump e o senador brasileiro.

Essa expectativa aparece em uma declaração feita em junho pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsável pela política externa de Donald Trump.

Na ocasião, ele classificou o Brasil como uma “exceção de países aliados dos EUA no hemisfério”. O país foi mencionado ao lado de Nicarágua, Venezuela, Cuba e Colômbia – que, naquele momento, era governada pelo ex-presidente Gustavo Petro, também de esquerda.

Dias depois, Rubio demonstrou esperança de que a região mudasse após as eleições previstas para acontecer. Governos antes de esquerda na América do Sul e na América Central passaram a ser liderados por nomes de direita depois de eleições nacionais, em um movimento que favoreceu a influência dos EUA na região.

As mudanças ocorreram no Panamá, no Chile, no Peru e na Colômbia.

No Brasil, porém, o cenário foi diferente. Lula conseguiu uma virada inédita contra Flávio no segundo turno e foi eleito para um quarto mandato como presidente. Na avaliação de interlocutores do Planalto, a vitória do petista foi um “balde de água fria” para o atual governo norte-americano e afastou a possibilidade de ingerência no país por meio de Flávio Bolsonaro.

Durante a campanha, Flávio já havia manifestado o desejo de alinhar-se aos interesses norte-americanos.

Caso fosse eleito, o então candidato afirmou que classificaria organizações criminosas brasileiras como terroristas – proposta de Trump rejeitada pelo governo Lula – e que aderiria ao Escudo das Américas, outra iniciativa dos EUA para combater organizações criminosas latinas.

Lula também se opõe à medida.

Dois dias depois de ser derrotado nas urnas, o senador brasileiro deixou o país rumo aos Estados Unidos, onde vive atualmente com a família em Miami. A saída de Flávio é tratada como uma fuga. Ele é investigado pela Justiça do Brasil por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

PERDA DE UM ALIADO EM MEIO À CRISE NO PARAGUAI

O revés na América Latina não ficou restrito ao Brasil. A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nessa quinta-feira (5/11), também pode ser considerada uma derrota para Donald Trump.

Aliado do republicano na região, Peña manteve uma linha direta com a Casa Branca durante seu mandato e aderiu às principais iniciativas dos Estados Unidos para a região.

Nesta semana, contudo, a liderança do paraguaio desmoronou em meio a um escândalo financeiro no país. O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a liquidação do banco Ueno por considerá-lo insolvente – ou seja, incapaz de honrar seus compromissos financeiros. O Ministério Público do Paraguai também pediu a abertura de uma investigação criminal sobre a instituição.

A dissolução do banco afeta especialmente Peña, que foi alvo de um pedido de impeachment após o caso. O chefe de Estado paraguaio, formado em economia, foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa ligada ao grupo controlador do banco.

O presidente, no entanto, antecipou-se ao avanço do pedido de impeachment e decidiu renunciar ao cargo. Agora, cabe ao Congresso do país decidir se aceita a renúncia de Santiago Peña, que deverá formalizar o pedido ao Legislativo.

Na avaliação de especialistas, a crise no Paraguai se soma ao enfraquecimento de lideranças de direita nas últimas semanas e à recente derrota de Trump no Congresso.

A ONDA AZUL NORTE-AMERICANA

Dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro – que, caso não tivesse ocorrido, poderia colocar a principal potência latino-americana sob a influência dos Estados Unidos –, Trump também sofreu um revés interno.

Nas eleições de meio de mandato, realizadas na última terça-feira (3/11), o Partido Republicano do presidente foi derrotado pelo Partido Democrata e perdeu o controle do Congresso dos EUA.

O domínio republicano nas duas casas legislativas do país, a Câmara dos Representantes e o Senado, permitia a Trump avançar com sua agenda política e se proteger de investigações e ações da oposição.

Na disputa, estavam em jogo 35 cadeiras no Senado, 435 assentos na Câmara e 36 cargos de governador.

Ao todo, o Partido Democrata elegeu 54 senadores e superou o mínimo de 50 assentos necessário para controlar o Senado.

Na Câmara, foram eleitos 247 deputados democratas, 29 a mais que os 218 necessários para dominar a Casa. Nas disputas estaduais, o Partido Democrata também teve melhor desempenho: elegeu 5 governadores a mais do que na eleição de 2024 e passou a comandar 28 estados do país. O Partido Republicano ficou com 20.

Tags: Donald Trump, Estados Unidos (EUA), Paraguai

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