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A armadilha da autocrítica: por que apenas o PT deve confessar seus pecados?

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Cobrança por autocrítica pública recai especialmente sobre o PT, enquanto outros partidos enfrentam menos pressão. (Foto: Instagram)

Desde a criação do partido, a cada eleição — vença ou perca o Partido dos Trabalhadores (PT) —, seus críticos mais severos cobram que a legenda faça autocrítica. Querem que isso ocorra publicamente para que, só então, o partido possa ser perdoado por seus muitos erros e cobrado novamente caso os repita. As demais agremiações, porém, não recebem a mesma cobrança. Por quê?

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Alguns responderão que, desde a redemocratização do país, iniciada com a posse do presidente José Sarney em 15 de março de 1985, passaram-se exatamente 41 anos, 7 meses e 22 dias até hoje. Nesse período, o PT esteve à frente do Brasil por 16 anos, 10 meses e 5 dias. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) governou por 8 anos, enquanto o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ocupou recentemente a liderança por pouco mais de dois anos, com Michel Temer.

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Embora a avaliação individual das próprias ações exista desde a filosofia antiga, a autocrítica como instrumento político coletivo e institucional surgiu em um contexto histórico bem específico. O termo e a prática ganharam força depois da Revolução Russa de 1917 e se firmaram como doutrina partidária oficial entre 1921 e 1924, por iniciativa do ditador Joseph Stalin.

Exigir que um partido político lave sua roupa suja em público não é algo usual, a menos que a intenção seja realmente enfraquecê-lo — o que, naturalmente, favoreceria seus adversários. A Igreja Católica, por exemplo, orienta os fiéis a confessarem seus pecados como demonstração de arrependimento; em contrapartida, assegura que não os revelará em nenhuma circunstância, protegidos pelo segredo de confissão.

O antigo Partido Social Democrático (PSD), fundado pelo então presidente Getúlio Vargas em julho de 1945, durante o fim do Estado Novo, costumava se reunir publicamente apenas depois de resolver suas divergências internas. Assim, a sigla se apresentava como um grupo unido, coeso e confiável. O sigilo era essencial, já que expor divisões não favorece nem vencedores nem vencidos.

Voltando ao PT: quantas vezes o partido já ajustou ou reviu sua maneira de pensar e agir ao longo da história? Essa capacidade ajuda a explicar por que tem obtido bons resultados, pelo menos até agora, superando os adversários. Nenhum governo que almeje o sucesso pode ignorar a conjuntura. Quando isso acontece, por erro de avaliação ou soberba, o resultado pode ser o cenário que vemos hoje nos Estados Unidos de Donald Trump.

Lula é frequentemente criticado por ter dito certa vez que é uma “metamorfose ambulante”. No fundo, a frase descreve alguém capaz de se adaptar a um mundo em constante mudança. Na eleição encerrada em 25 de outubro último, ele foi o candidato da mudança, e não Flávio Bolsonaro, que defendia um retorno ao passado. Ainda há dúvida sobre isso?

Tags: Briga política, crise política, Governo Lula, Lula, Michel Temer, política

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