
As mudanças no corpo após a gravidez podem afetar a autoestima e a vida sexual. Especialista alerta que cirurgia plástica não trata a queda da libido nem deve ser uma condição para retomar a sexualidade. (Foto: Instagram)
As mudanças no corpo provocadas pela gravidez levam muitas mulheres a procurar a cirurgia plástica para recuperar a autoestima. Mas os efeitos vão além da aparência: inseguranças com o novo corpo podem impactar diretamente a vida sexual.
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Em entrevista à coluna, o cirurgião plástico Fabian Fedrizzi afirma que muitas pacientes procuram uma forma de voltar a se reconhecer.
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“Existe uma cultura de retorno imediato. No consultório, ela aparece como culpa: mulheres com 3 meses de parto que se sentem atrasadas e mulheres com pouco desejo sexual que acreditam precisar de cirurgia para voltar a ser desejadas”, conta.
O QUE ACONTECE COM O CORPO E COM A LIBIDO?
Segundo ele, antes de qualquer cirurgia, sua principal função é explicar e tratar com naturalidade as mudanças que podem ocorrer. Entre elas estão:
- Abdômen: a diástase dos retos abdominais acontece em quase todas as gestações.
- Mamas: alterações no volume, flacidez e assimetria são esperadas. O tecido só se estabiliza de três a seis meses após o fim da amamentação.
- Região íntima e assoalho pélvico: ressecamento, incontinência de esforço e dor durante a relação não são resolvidos com cirurgia plástica estética. Esses casos demandam fisioterapia pélvica, ginecologia e acompanhamento hormonal.
- Libido: privação de sono, níveis baixos de estrogênio, dor na cicatriz e sobrecarga mental podem causar uma redução fisiológica do desejo.
“Meu compromisso é deixar claro que a cirurgia plástica não recupera a autoestima prejudicada pela falta de sono, de rede de apoio e por comentários invasivos sobre o corpo. Ela nunca deve ser uma condição para retomar a sexualidade”, reforça.
QUANDO É REALMENTE INDICADO REALIZAR UMA CIRURGIA?
Fabian explica que há dois critérios essenciais para recomendar um procedimento. O primeiro é o tempo: cirurgias corporais exigem um intervalo mínimo de seis meses após o parto; para procedimentos nas mamas, são necessários seis meses depois do fim da amamentação.
O segundo critério é a paciente entender que cirurgias estéticas não recuperam a libido nem tratam disfunções como a incontinência urinária. “Explico os riscos, as cicatrizes, a necessidade de afastamento e, acima de tudo, que nenhum resultado apaga a história de uma gestação”, destaca.
DICA AOS PARCEIROS
Por fim, o médico lembra que parceiros, familiares e profissionais devem substituir cobranças e julgamentos por acolhimento e compreensão.
“O corpo pós-parto não é provisório, à espera de conserto. É o corpo real de uma mulher em uma fase exigente. Pode mudar novamente, receber cuidados e, se ela quiser e houver indicação, passar por uma cirurgia. Nunca deve ser punido”, finaliza.
Tags: cirurgia estética, gravidez, sexualidade


