
É possível adiar a menopausa? Especialista explica o que a ciência sabe — e alerta para tratamentos sem comprovação. (Foto: Instagram)
A menopausa marca o encerramento natural da fase reprodutiva feminina. A chegada desse período nem sempre é recebida com tranquilidade, especialmente por causa de sintomas como ondas de calor, mudanças no sono e oscilações de humor. Diante das transformações físicas e emocionais, uma dúvida frequente nos consultórios de ginecologia é se há como adiar a última menstruação.
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Segundo a ginecologista Maria Clara Carvalho, não há, até o momento, tratamento comprovado que consiga postergar a menopausa de modo seguro e previsível.
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A médica explica que o envelhecimento dos ovários é um processo biológico complexo, determinado principalmente pela genética e pela diminuição gradual da reserva de folículos ao longo da vida. Embora a ciência estude formas de preservar a função ovariana, ainda não há uma intervenção que tenha demonstrado prolongar a idade da menopausa com benefícios clínicos consistentes.
O QUE INFLUENCIA O CICLO REPRODUTIVO FEMININO
Mesmo sem uma fórmula para adiar o fim natural da fase reprodutiva, alguns hábitos podem influenciar a saúde da mulher. Carvalho afirma que evitar o tabagismo e diminuir a exposição a fatores prejudiciais aos ovários são medidas importantes para a saúde reprodutiva.
De acordo com Maria Clara, componentes do cigarro podem prejudicar a função ovariana, e parar de fumar beneficia a saúde reprodutiva e a saúde em geral. A associação entre peso corporal e idade da menopausa, por sua vez, é menos clara. Ela ressalta que não há evidências que sustentem recomendar ganho ou perda de peso para adiar a menopausa.
Sobre gravidez e amamentação, alguns estudos observacionais identificaram uma associação com a chegada mais tardia da menopausa. A ginecologista pondera, porém, que isso não significa que engravidar ou amamentar sejam formas de postergar o processo.
Maria Clara também chama atenção para o histórico reprodutivo e médico. Cirurgias nos ovários, quimioterapia, radioterapia pélvica, certas condições genéticas e algumas doenças autoimunes podem afetar a função ovariana e antecipar sua perda.
CUIDADO COM PROMESSAS SEM COMPROVAÇÃO
Procedimentos como o rejuvenescimento ovariano com plasma rico em plaquetas, tratamentos com células-tronco e outras técnicas regenerativas são oferecidos com a promessa de prolongar a função dos ovários, mas continuam em fase experimental. “Essas opções não devem ser apresentadas como métodos comprovados”, alerta Maria Clara Carvalho.
O uso de contraceptivos hormonais e a terapia de reposição hormonal não preservam a fertilidade nem atrasam o envelhecimento ovariano.
A médica explica que a reposição hormonal é usada para tratar sintomas e, em casos específicos, proteger a saúde diante da deficiência hormonal. Ela destaca que preservar a fertilidade, por meio do congelamento de óvulos ou embriões, é diferente de adiar a menopausa: são objetivos distintos.
É preciso ter cautela com suplementos e tratamentos anunciados como meios de prolongar a vida fértil. Maria Clara Carvalho afirma que ainda faltam evidências clínicas suficientes de que antioxidantes, hormônios ou outros suplementos consigam adiar a menopausa em mulheres saudáveis. Por isso, recomenda buscar esses produtos por benefícios comprovados à saúde, sem esperar que impeçam ou retardem o envelhecimento dos ovários.
FATORES ASSOCIADOS À MENOPAUSA
Não existe uma idade única para a menopausa. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) informa que, no Brasil, ela ocorre, em média, entre os 48 e 51 anos.
O que explica as diferenças entre as mulheres? Segundo Maria Clara Carvalho, a menopausa é influenciada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais.
A ginecologista afirma que a genética tem papel relevante e que saber a idade em que a mãe ou as irmãs chegaram à menopausa pode ajudar a identificar uma possível predisposição familiar. Ainda assim, esse dado não permite prever com precisão quando a menopausa ocorrerá para uma mulher específica.
Tags: menstruação, Mulher, Qualidade de Vida, Saúde feminina


