Durante sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022, demonstrou segurança e bom humor ao apresentar seu voto. O julgamento envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados, acusados de planejar ações para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moraes abriu sua fala com uma brincadeira: “Dificilmente, cumprirei minha promessa”, referindo-se à promessa de ser breve, o que arrancou risadas do plenário. O ministro também ironizou argumentos das defesas, como no caso do general Augusto Heleno. Em resposta à acusação de que estaria atuando como investigador, Moraes afirmou que “juiz não é samambaia jurídica” e que “não cabe a nenhum advogado limitar o número de perguntas que o juiz deve fazer”.
Outro momento de destaque foi quando Moraes chamou de “meu querido diário” as anotações encontradas no celular do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que tratavam de supostas fraudes nas eleições. Segundo o ministro, o próprio Ramagem confirmou a autoria do documento e do e-mail vinculado, alegando que se tratavam de anotações pessoais.
A ministra Cármen Lúcia também teve participação firme no julgamento, corrigindo o advogado de Ramagem sobre a diferença entre “voto impresso” e “processo eleitoral auditável”. Ela destacou que o sistema eleitoral brasileiro já é amplamente auditável, em contraponto às alegações da defesa.
Com o voto de Moraes, o julgamento foi retomado nesta terça-feira (9/9), marcando mais um capítulo na apuração da tentativa de impedir a transição democrática em 2022. O processo segue em andamento na Corte.

