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Especialistas revelam desafios após resgate de baleia em operação de quase R$ 9 milhões

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Baleia-jubarte Timmy durante operação de resgate no Mar Báltico (Foto: Instagram)

A baleia-jubarte chamada Timmy se tornou o foco de uma operação rara e polêmica no norte da Europa. Desde março, o animal estava encalhado em águas rasas perto da Alemanha, distante de seu habitat natural no Oceano Atlântico. A presença inusitada da baleia nas proximidades do Mar Báltico atraiu a atenção de moradores, especialistas e curiosos, transformando-se em um caso amplamente acompanhado por transmissões ao vivo.

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Com o passar das semanas, a saúde de Timmy começou a gerar preocupação. A baleia parecia debilitada, levantando uma difícil questão: seria melhor deixá-la onde estava, correndo risco de morte, ou arriscar uma operação complexa para levá-la de volta ao mar profundo?

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A tentativa de resgate ocorreu no sábado, 2 de maio, com um financiamento privado estimado em cerca de 1,5 milhão de euros (mais de R$ 9 milhões). A operação utilizou uma barca com água, puxada por um rebocador, para transportar Timmy até o mar aberto. Durante o processo, cobertores brancos foram colocados sobre a baleia para proteger sua pele.

Uma operação cercada de dúvidas
A autorização para o resgate foi concedida pelo ministro do Meio Ambiente do estado alemão de Mecklenburg Vorpommern, apesar dos alertas de alguns cientistas que temiam que o transporte pudesse ser pesado demais para um animal já enfraquecido.

A baleia foi solta por volta das 9h, no horário local, a cerca de 72 quilômetros da costa de Skagen, na Dinamarca. Esperava-se que um rastreador instalado em Timmy enviasse dados sobre seus sinais vitais e localização, auxiliando os pesquisadores a compreender o que ocorreu após a soltura.

Contudo, o equipamento não funcionou como esperado. Segundo informações da imprensa alemã, o transmissor não estava enviando os dados necessários. Para o pesquisador de baleias Fabian Ritter, isso representaria um problema grave: “Se o aparelho não fornecer informações, será uma catástrofe completa, tanto para a baleia quanto para a equipe de resgate.”

Sem esses dados, ninguém sabe ao certo onde Timmy está, nem se ela ainda está viva. Especialistas consideram altamente provável que a baleia tenha morrido após a soltura.

O debate após a soltura
Alguns cientistas acreditam que Timmy pode ter buscado águas rasas justamente por estar fraca e precisar descansar. Por esse motivo, levá-la ao mar aberto poderia aumentar o risco de afogamento, caso ela não tivesse força suficiente para continuar nadando e respirar adequadamente.

Burkard Baschek, do Museu Oceanográfico de Stralsund, já havia alertado que soltar a baleia em alto-mar poderia colocá-la em perigo. Por outro lado, veterinários ligados à iniciativa privada consideraram que o animal estava em condições de ser transportado.

Após a operação, imagens de drone mostraram uma baleia nadando e expelindo água perto da barca, mas não houve confirmação imediata de que se tratava de Timmy.

A falta de informações também gerou críticas. Cientistas passaram a exigir que a equipe de resgate divulgasse os dados do rastreador. O biólogo marinho dinamarquês Peter Madsen classificou a ausência de transparência como incomum e imprudente.

No mesmo dia da soltura, a financiadora Karin Walter-Mommert divulgou uma nota se distanciando da operação e da forma como a baleia foi liberada. “Por meio desta, nos distanciamos expressamente dos acontecimentos e da maneira como a baleia foi solta. Como ainda estamos no processo de investigação, nenhum nome será divulgado neste momento. Pedimos a sua compreensão”, dizia o comunicado.

Ao lado do cofinanciador Walter Gunz, ela afirmou que eventuais consequências deveriam recair sobre o proprietário, os operadores e os tripulantes dos navios Fortuna B e Robin Hood.

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