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Iate, jato e carros de luxo são apreendidos após crise bancária no Paraguai

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MP do Paraguai apreende iate, jato e carros de luxo em investigação sobre o Banco Ueno (Foto: Instagram)

Operações do Ministério Público do Paraguai apreenderam um iate, um jato, nove carros de luxo e documentos ligados a empresários do grupo controlador do Banco Ueno. As ações fazem parte das investigações sobre uma suposta fraude financeira na instituição, que desencadeou uma crise política e econômica no país.

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Nas últimas horas, o órgão fiscalizador realizou operações contra empresários do Grupo Vázquez, acionista majoritário do banco. Durante as ações, foi apreendido um iate de luxo da fabricante italiana Azimut Yachts. A embarcação pertencia a Miguel Vázquez, ex-CEO do Grupo Vázquez e do Banco Ueno.

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Os investigadores também confiscaram um jato particular, identificado como Beechcraft King Air 300. A aeronave, igualmente atribuída a Miguel Vázquez, foi apreendida em um hangar do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque.

Nove carros de luxo, avaliados em US$ 14 milhões, também foram apreendidos em uma operação na residência do CEO do Banco Bueno, situada em Assunção, capital do Paraguai.

“A investigação fiscal busca apurar se a holding do Ueno Bank organizou um esquema de operações financeiras dentro e fora do banco, por meio de vínculos com diversas empresas que compartilhavam diretores, endereços e operadores. A suspeita é de que essas operações tenham causado prejuízos financeiros”, afirma o Ministério Público paraguaio.

As operações também alcançaram escritórios do Banco Ueno e endereços ligados ao Grupo Vázquez. Nesses locais, foram recolhidos documentos, computadores e celulares. “Também foram encontrados equipamentos de informática e cofres, que serão abertos com a participação de um profissional qualificado, para evitar danos aos dispositivos de segurança”, informou o MP do Paraguai.

O caso também resultou na prisão de Miguel Vázquez e de outros sete integrantes do conselho de administração do Banco Ueno. De acordo com o BCP, a instituição concedeu empréstimos acima do limite legal a empresas ligadas ao próprio grupo empresarial, comprometendo a liquidez do banco. Eles são acusados de suposto abuso de confiança, entre outros crimes.

Parlamentares da oposição também afirmam que o grupo ligado ao banco cresceu rapidamente durante a gestão de Santiago Peña, que já foi acionista da instituição financeira.

O Paraguai enfrenta uma crise econômica e política após a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira digital que encerrou as atividades nesta semana. Em 3 de novembro, o Banco Central do país determinou o fim do Ueno por considerá-lo insolvente — quando uma instituição financeira não consegue cumprir seus compromissos.

Nesse contexto, a autoridade paraguaia ordenou a suspensão das operações e deu início a um procedimento de resolução do banco digital. O Ministério Público do Paraguai também pediu uma investigação criminal sobre a instituição e solicitou a prisão de seus dirigentes.

“As apurações envolvem suspeitas sobre a gestão e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco.”

A crise também alcançou a cúpula do Banco Central. Carlos Carvallo, presidente da autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir o BCP, Carvallo presidiu o Banco Ueno.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também foi atingido pela crise e se tornou alvo de um pedido de impeachment em meio à crise financeira do país. Economista de formação, Peña foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, quando tinha pouco mais de dois anos de mandato. A empresa tem relação com o grupo controlador do banco.

Peña, contudo, antecipou-se ao avanço do impeachment e decidiu renunciar ao cargo. Agora, cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve formalizar o pedido ao Legislativo.

Tags: Paraguai

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