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Terceirizado da UNE ameaça indígena em ato de apoio aos povos originários

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A UNE pediu desculpas após um funcionário terceirizado ameaçar de morte um estudante indígena durante manifestação em São Paulo. (Foto: Instagram)

São Paulo — Um ato em apoio aos povos indígenas, ameaçados por antipetistas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi realizado no último domingo (1/11), na Praça Franklin Roosevelt. Durante a manifestação, organizada por movimentos progressistas, lideranças indígenas foram novamente desrespeitadas, inclusive por um funcionário terceirizado da União Nacional dos Estudantes (UNE). A entidade estudantil se desculpou nas redes sociais.

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Em publicação nas redes sociais, Tuza Median, coordenador da Aliança dos Indígenas Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), relatou que um funcionário contratado pela UNE o ameaçou de morte. Na ocasião, um grupo ocupava o palco, mas foi impedido pela organização estudantil de fazer falas.

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Em um vídeo, Tuza apresenta uma sequência de desrespeitos que, segundo ele, foram cometidos pela UNE naquela tarde. O ato, inicialmente organizado em apoio aos povos originários, virou uma festa com palco, equipamento de som e banda. “Nós [povos indígenas] nos unimos e decidimos que não queríamos ficar num ato daquela forma, então começamos um canto, uma ritualística indígena, com nossos cantos sagrados, com as nossas palavras, com a nossa cultura.”

Ele conta que o grupo se aproximou do palco e pediu o direito de usar o microfone, mas teve o pedido negado porque o show da banda precisava continuar. Um integrante da direção da UNE informou que eles só poderiam falar depois da apresentação. Pouco depois, a música foi interrompida para que Bianca Borges, presidenta da UNE, se pronunciasse.

“Ela [Bianca] estava com uma estrutura de som de show, superalta. Nós continuamos com nossa ritualística sagrada que não deveria ser interrompida. Mas a Bianca fez uma fala enorme, um tanto quanto insensível, com o microfone superalto em que a gente mal conseguia se ouvir durante nossos cantos”, criticou Tuza.

Depois que a presidenta da UNE deixou o palco, o grupo voltou a pedir o direito de falar, mas recebeu nova negativa. Foi então que os povos originários decidiram ocupar o palco. “A gente queria que nossos mais velhos pudessem ecoar a voz dos povos indígenas: o pedido de socorro pelas queimadas, o socorro pela vingança [dos antipetistas] e o pedido de demarcação já.”

Quando os indígenas subiram ao palco, funcionários contratados e integrantes da direção da UNE começaram a discutir com eles. Pessoas que estavam no local filmaram as cenas e registraram o momento em que um dos trabalhadores ameaçou Tuza de morte: “Se um ele encostar um dedo em você, eu mato ele.”

O vídeo publicado por Tuza ultrapassou 170 mil visualizações. Após a repercussão negativa, a UNE divulgou uma nota de retratação nessa quarta-feira (4/11). Leia o conteúdo:

A União Nacional dos Estudantes (UNE) repudiou a declaração de um funcionário terceirizado durante a manifestação do último domingo, em São Paulo. O ato defendia a democracia e a soberania brasileiras e denunciava a violência contra os povos indígenas.

A entidade afirmou que a fala é inaceitável e não representa seus princípios nem posicionamentos. Também reiterou seu compromisso histórico com a defesa da vida, dos direitos humanos e das lutas indígenas. Segundo a nota, ao tomar conhecimento da pauta, a UNE acrescentou imediatamente essa reivindicação à palavra de ordem do ato e trabalhou para construir uma ação conjunta com os coletivos de estudantes indígenas presentes.

Em nome da diretoria, a UNE pediu desculpas pela declaração feita durante a mobilização e reconheceu que deve garantir que seus espaços de atuação sejam coerentes com os valores defendidos pela entidade.

A organização informou que está apurando o caso e que tomará as providências cabíveis. Também disse estar à disposição para oferecer o suporte jurídico necessário ao estudante ameaçado.

Por fim, a UNE afirmou que a luta pela democracia não se separa da defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas, e que seguirá ao lado dessa causa com respeito, responsabilidade e compromisso.

Assista ao vídeo de Tuza:

Tags: estudantes, povos indígenas, São Paulo

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