
Operação Azzardo desarticula esquema de lavagem ligado a apostas ilegais (Foto: Instagram)
Por trás das apostas virtuais feitas via Pix por milhares de usuários, uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro recorria a estabelecimentos fictícios no Distrito Federal para esconder recursos bilionários. Desarticulado nesta quinta-feira (5/11) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na Operação Azzardo, esse braço do esquema usava até cadastros de lojas de artigos de tarô e clínicas de assistência psicossocial para lavar o dinheiro arrecadado com apostas ilegais.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
A investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) apontou que o dinheiro pago pelos apostadores, por QR Code do Pix em sites não autorizados de apostas de quota fixa, não era destinado a empresas de jogos. Os valores seguiam para uma rede de PJs abertas em nome de “laranjas”.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
A simulação e o rastreamento financeiro realizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e pela PCDF identificaram que os valores chegavam a endereços registrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Na realidade, porém, a polícia encontrou imóveis vazios, placas de “aluga-se” e estabelecimentos sem qualquer ligação com tecnologia. Em um único lote em Ceilândia, 10 empresas de fachada informavam o mesmo telefone corporativo.
AUTORIZADA PELO BC
Criadas em grande quantidade entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos, as empresas de fachada serviam para receber, concentrar e pulverizar os valores. A estrutura tinha como base uma fintech paulista (Sociedade de Crédito Direto) autorizada pelo Banco Central, por meio da qual circularam cerca de R$ 1 bilhão. Depois de passar pelo sistema bancário, os recursos eram submetidos a um rodízio constante de procuradores e convertidos em criptoativos para dificultar o rastreamento.
A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão no DF e em outros cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Na capital paulista, os policiais fizeram incursões em áreas financeiras de alto padrão, como a Avenida Brigadeiro Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia.
O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou medidas cautelares para atingir financeiramente o grupo:
- Bloqueio de bens e valores: constrição patrimonial de até R$ 3,483 bilhões em contas e instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela CVM.
- Suspensão de empresas: bloqueio dos CNPJs e dos registros em juntas comerciais de 100 empresas de fachada.
- Quebra de sigilos: afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
- Restrições econômicas: proibição de abertura de novas contas bancárias por 90 dias e sequestro de veículos de alto padrão.
ESQUEMA MASCARADO
O esquema também tentou ocultar a ilegalidade por meio de falsas ligações com loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro. De acordo com a PCDF, nenhuma das plataformas investigadas tinha a outorga federal obrigatória exigida após a Medida Provisória nº 1.394/2026, de 25 de setembro de 2026.
Os investigados responderão por diversos crimes organizados, cujas penas, somadas, podem chegar a 33 anos de reclusão. Computadores, mídias e carteiras de criptomoedas apreendidos serão periciados para identificar os verdadeiros controladores do esquema criminoso.
Tags: operação, Polícia Civil


