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EUA vão às urnas em eleição legislativa que pode afetar o futuro de Trump

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Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar o Congresso, em uma disputa que pode mudar o equilíbrio de forças em Washington e impor obstáculos ao governo de Donald Trump. (Foto: Instagram)

Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso, em uma eleição que pode criar os primeiros grandes obstáculos ao segundo mandato de Donald Trump.

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A votação definirá todos os novos integrantes da Câmara e um terço do Senado. O pleito acontece em meio ao desgaste da administração republicana, com queda na aprovação presidencial, prolongamento da guerra contra o Irã e aumento do custo de vida.

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Com a maioria republicana ameaçada nas duas Casas legislativas, os democratas enxergam uma oportunidade de recuperar espaço em Washington e restringir a atuação do presidente nos próximos dois anos.

Na segunda-feira (2/11), véspera das midterms, as avaliações do governo de Trump não melhoraram em uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. A aprovação continua em 32%, mesmo índice do levantamento anterior e perto da mínima de 31%, registrada em 19 de outubro.

Os números também apontaram um cenário desfavorável ao Partido Republicano. Entre os entrevistados, 46% disseram preferir candidatos democratas ao Congresso, ante 38% que escolheram republicanos. Além disso, metade dos eleitores independentes afirmou que pretende votar contra Trump. A pesquisa ouviu 1.765 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

A expectativa é de uma disputa acirrada, sobretudo pelas vagas abertas no Senado. Na Câmara, os democratas estão em posição favorável para retomar a maioria. Projeções eleitorais indicam que o partido tem mais de 90% de chance de conquistá-la. No Senado, as estimativas também apontam vantagem democrata, embora a disputa esteja mais equilibrada.

Formação atual do Senado e da Câmara dos EUA:

O QUE ESTÁ EM JOGO?

  • As eleições de meio de mandato acontecem a cada dois anos, entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação do governo em exercício.
  • Ao contrário das eleições presidenciais, não há candidato à Casa Branca na cédula.
  • Ainda assim, o resultado costuma mostrar o grau de satisfação dos eleitores com os rumos do país.
  • Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
  • Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores cumprem períodos de seis anos.
  • Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas.
  • Para retomar o controle da Casa, a oposição precisa conquistar quatro assentos a mais.
  • No Senado, os republicanos têm 53 das 100 vagas, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somam 47.
  • Para alcançar a maioria, os democratas precisam chegar a 51 cadeiras.
  • O resultado é importante pelas atribuições do Congresso, que elabora e aprova leis federais e fiscaliza o Poder Executivo.
  • Uma alteração na composição parlamentar pode dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca e mudar o equilíbrio de forças em Washington.

ECONOMIA E GUERRA NO IRÃ PESAM NA DISPUTA

A economia está entre as principais preocupações dos eleitores, diante da alta dos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. O prolongamento da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã também pressiona o custo de vida e provoca críticas à política externa de Trump.

Os democratas também responsabilizam as tarifas comerciais pelo encarecimento de produtos, enquanto os republicanos apontam o endurecimento das políticas migratórias como uma conquista do governo.

A regulamentação da inteligência artificial também passou a ocupar espaço no debate eleitoral.

TRUMP FAZ ÚLTIMO APELO POR VOTOS REPUBLICANOS

Na véspera da votação, Trump intensificou os esforços para mobilizar eleitores e tentar manter a maioria republicana no Congresso. Em um discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho d’água do Lincoln Memorial em Washington, nessa segunda, o presidente chamou o pleito de o mais importante de suas vidas e voltou a criticar os democratas.

“O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana”, declarou.

O republicano também acusou os adversários de defender fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.

Ao defender sua gestão, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e ressaltou o desempenho econômico de seu governo. O presidente também pediu aos apoiadores que encarassem a votação como se ele próprio estivesse concorrendo.

O discurso ocorreu em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o espaço dado por Trump a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.

O QUE UMA DERROTA PODE SIGNIFICAR PARA TRUMP?

Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso mudaria de forma significativa a relação entre o Legislativo e a Casa Branca.

Se controlar a Câmara, a oposição passará a comandar as comissões parlamentares e poderá convocar integrantes do governo, pedir documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.

O governo também poderá ser alvo de questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas implementadas por meio de decretos presidenciais.

A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. Cabe à Câmara dos Representantes apresentar acusações contra o presidente, enquanto o Senado conduz o julgamento político. Uma eventual condenação, no entanto, exige apoio de dois terços dos senadores.

No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicados presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo possíveis vagas na Suprema Corte.

Trump ainda poderia usar ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria mais resistência institucional e obstáculos para transformar suas propostas em leis.

O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.

Tags: Donald Trump, Eleições EUA, Estados Unidos (EUA)

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