O casamento de Victor Alexandre, filho caçula de Xanddy e Carla Perez, trouxe à tona uma experiência comum entre pais que veem seus filhos crescerem, saírem de casa e construírem suas próprias vidas: a chamada síndrome do ninho vazio.
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Aos 22 anos, o jovem oficializou a união com Jarline Maria em uma cerimônia intimista realizada em uma ilha particular na Bahia, no último domingo (16/8). O casal está junto há 7 anos, desde a adolescência.
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A emoção dos pais diante dessa nova fase foi evidente antes mesmo da cerimônia. Ao falar sobre o casamento, o cantor admitiu que controlar as lágrimas seria um desafio: “Sem dúvida, segurar a emoção e não chorar será um grande desafio, porque ali estarei vendo um filho realizar um sonho e iniciar o propósito que Deus preparou para ele”, declarou.
A dançarina também revelou ter se emocionado ao acompanhar os preparativos. Ao ver Jarline vestida de noiva pela primeira vez, contou ter percebido a dimensão daquela mudança para a família.
“Foi um daqueles momentos que a gente guarda para sempre no coração. Ver a Jarline vestida de noiva foi enxergar a realização de um sonho deles e também de toda a nossa família”, afirmou, mencionando ainda que sentiu ter ganhado oficialmente outra filha.
Embora a saída dos filhos de casa ou a formação de uma nova família sejam acontecimentos esperados no ciclo da vida, a transição pode ser emocionalmente complexa para os pais.
Isso ocorre porque não é apenas a rotina que muda. Durante anos, a dinâmica familiar é organizada em torno dos filhos, dos cuidados, dos horários, das preocupações e dos planos para o futuro.
Para a psicóloga Gil Jung, o chamado ninho vazio pode ser entendido como uma espécie de luto, mas não pela perda do filho: “O ninho vazio pode ser compreendido como uma espécie de luto. Não pela perda de uma pessoa, mas pelo encerramento de uma fase importante da vida”, explicou.
Segundo ela, o conceito de luto não se restringe apenas à morte: “Também pode existir um processo de elaboração quando se perde uma realidade à qual a pessoa esteve profundamente vinculada. No ninho vazio, os pais não perdem o filho. Perdem uma forma de viver com ele”, afirmou.
É justamente essa mudança na rotina que pode provocar sentimentos como saudade, tristeza, vazio e até questionamentos sobre identidade e propósito. O filho continua presente, mas deixa de ocupar o mesmo espaço na vida cotidiana dos pais.
“Durante muitos anos, grande parte da rotina familiar é construída em torno dos filhos”, explica Gil. “Quando os filhos crescem, saem de casa, se casam ou começam a construir a própria vida, essa estrutura muda”, relatou.
A psicóloga destacou ainda que sentimentos aparentemente contraditórios podem coexistir nessa fase. Um pai ou uma mãe pode estar genuinamente feliz pela independência do filho e, ao mesmo tempo, sentir falta da rotina que existia anteriormente: “É possível sentir orgulho e tristeza ao mesmo tempo. Uma emoção não anula a outra”, detalhou.
No caso de Xanddy e Carla, a transformação da dinâmica familiar acontece depois de mais de duas décadas de casamento e da criação de dois filhos. A primogênita, Camilly Victória, também já é adulta e chegou a voltar a morar sozinha em Salvador após passar anos nos Estados Unidos. Victor, por sua vez, construiu a própria trajetória no país e agora inicia uma nova etapa ao lado da mulher.
Para Gil Jung, essa fase pode trazer uma pergunta difícil, mas necessária: quem os pais são para além da função parental: “Essa mudança também pode trazer uma pergunta importante: ‘Quem sou eu além de ser pai ou mãe?’ E, quando existe um casal: ‘Quem somos nós como casal agora que os filhos já não ocupam o centro da nossa rotina?'”, enumerou.
O processo, no entanto, não significa romper ou diminuir o vínculo com os filhos. Pelo contrário: a tarefa passa a ser encontrar uma nova forma de exercer a parentalidade, com mais espaço para a autonomia dos filhos e também para os próprios projetos.
“A terapia pode ajudar justamente nesse processo. Não para ensinar os pais a se desapegarem dos filhos, mas para ajudá-los a elaborar o fim dessa fase, reorganizar a própria identidade e encontrar novos projetos, interesses e significados para a vida”, disse a psicóloga.
A especialista ressaltou que o chamado ninho vazio não precisa ser encarado apenas como uma experiência de perda. Ele também pode representar uma oportunidade de reconstrução:
“Criar um filho também significa prepará-lo para seguir o próprio caminho. E talvez uma das tarefas mais difíceis da parentalidade seja compreender que a independência dos filhos também exige uma transformação dos pais”, concluiu.


