O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é investigado por suposto desvio de bilhões de reais em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Diante da dimensão das movimentações financeiras atribuídas ao banqueiro, muitos se perguntam: para onde foi tanto dinheiro?
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Foi justamente essa pergunta que motivou uma reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” (Estadão), que reuniu informações de investigações da Polícia Federal, dados da Receita Federal e documentos enviados à CPMI que apurou fraudes relacionadas ao INSS para rastrear o destino dos recursos movimentados ao longo dos últimos anos.
De acordo com a reportagem, as investigações apontam que parte dos valores teria sido direcionada para despesas de alto padrão, aquisição de imóveis de luxo, investimentos por meio de fundos, remessas ao exterior, financiamento de produções cinematográficas e gastos relacionados a atividades políticas.
Entre os principais destinos citados está a transferência de mais de R$ 520 milhões por meio de um trust nos Estados Unidos, estrutura utilizada, segundo os investigadores, para operações patrimoniais internacionais. Entre os bens adquiridos estaria uma mansão em Miami avaliada em US$ 86,5 milhões.
Outro ponto destacado é o repasse de aproximadamente R$ 124 milhões (cerca de US$ 24 milhões) para viabilizar a produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As apurações também mencionam despesas com viagens internacionais, utilização de jatinhos particulares, aquisição de obras de arte, hospedagens em hotéis de luxo e restaurantes de alto padrão, além de repasses que estariam sendo investigados por possível relação com agentes políticos.
Os documentos da Receita Federal enviados à CPMI mostram ainda que Daniel Vorcaro movimentou R$ 18,1 bilhões em contas correntes ao longo de dez anos. Desse total, R$ 11,5 bilhões corresponderiam a recursos recebidos de terceiros, enquanto R$ 6,6 bilhões seriam transferências entre contas de sua própria titularidade. O Banco Master concentrou a maior parte dessas movimentações, seguido por Bradesco e BTG.
Segundo a reportagem, parte desse fluxo financeiro também envolveu fundos de investimento ligados ao próprio empresário. Entre eles está o Hans II FIP Multiestratégia, administrado pela Reag Trust. As investigações citam que o fundo fazia parte da estrutura utilizada para investimentos em outros veículos financeiros que, por sua vez, concentravam recursos na Golden Green Participações, empresa ligada à família Vorcaro e atuante no mercado de créditos de carbono.
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O caso dos desvios realizados no Banco Master seguem sob investigação, e as autoridades continuam apurando a origem, o destino e a legalidade das movimentações financeiras atribuídas ao ex-banqueiro.



