Joelison Fernandes da Silva, conhecido como Ninão e reconhecido como o homem mais alto do Brasil, busca apoio para adquirir próteses sob medida após ter as duas pernas amputadas em decorrência de complicações causadas pela osteomielite. O paraibano realiza sessões de fisioterapia em João Pessoa enquanto se prepara para utilizar novos equipamentos e recuperar a mobilidade.
Com 2,37 metros de altura, Ninão perdeu a perna direita em 2021 após ser diagnosticado com osteomielite, uma infecção grave nos ossos. Em outubro deste ano, ele passou por uma nova cirurgia para amputação da perna esquerda no Hospital de Clínicas de Campina Grande, na Paraíba.
Segundo o coordenador médico da unidade, Alisson Mendes, o procedimento foi necessário após uma infecção relacionada ao diabetes agravar o quadro clínico. “Uma infecção de partes moles do corpo não tratada adequadamente pode evoluir para uma infecção no osso, e foi o que ocasionou a situação do nosso Ninão”, explicou ao portal Hugo Gloss.
Natural de Assunção, no interior da Paraíba, Ninão foi diagnosticado com gigantismo ainda na adolescência. Aos 14 anos, ele já media 1,95 metro e iniciou tratamento para tentar desacelerar o crescimento.
Em entrevista à coluna de Carlos Madeiro, do UOL, ele revelou que já havia sido alertado sobre a possibilidade de complicações na perna esquerda quando passou pela primeira amputação. “Quando o médico foi amputar a perna direita, falou para eu ter cuidado com a esquerda, porque ela tinha o mesmo problema, a osteomielite, só que estava ‘dormindo’, quietinha”, disse.
Nos meses que antecederam a cirurgia, Ninão voltou a apresentar feridas e úlceras no pé esquerdo. “Como já tinha sido diagnosticado há quatro anos, sabia o que estava acontecendo. Muita gente dizia: ‘vamos tratar que vai dar certo’, mas eu sabia que não teria como recuperar o osso, porque ele já estava todo infectado”, contou.
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Mesmo realizando curativos paliativos, a infecção avançou. “Eu sabia que a infecção podia subir e precisaria cortar mais de cima, então decidi procurar logo o Hospital das Clínicas”, relatou.
Após avaliação médica, a equipe decidiu realizar a amputação. “Após avaliação do cirurgião vascular, decidimos fazer [a amputação] para eu ter uma qualidade de vida melhor. A vida de um amputado, de um deficiente, não é fácil. Mas estou sem dor e não estar indo a hospitais já é uma vitória”, afirmou.
Atualmente, Ninão vive com os pais e recebe um salário mínimo de aposentadoria pelo INSS. Sem conseguir andar há mais de três anos, ele tenta arrecadar recursos para adquirir uma cadeira de rodas motorizada e uma prótese para a perna esquerda, além de equipamentos adaptados à sua altura. “De agora em diante vai ser um pouco mais difícil. Eu tinha só uma perna e já era complicado. Agora, sem as duas? Mas vou seguir em frente”, declarou.



