
Porta-aviões dos EUA patrulha o Golfo Pérsico em meio à incerteza no Irã após a morte de Khamenei (Foto: Instagram)
A reação do Irã surge após a morte do aiatolá Ali Khamenei nesse sábado (28/2). O anúncio oficial foi feito pelas principais autoridades do regime, que ressaltaram o legado religioso e político deixado pelo líder supremo. Milhares de fiéis e membros do governo prestaram homenagens imediatas em várias cidades, marcando o início de um período de luto nacional. A figura de Ali Khamenei, no comando desde a década de 1980, exercia influência direta sobre as decisões mais relevantes no país, em especial na esfera militar e na política externa.
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O cargo de líder supremo, ocupado por Ali Khamenei desde 1989, é o mais elevado na estrutura de poder do Irã. Essa posição reúne poderes legislativo, executivo e judiciário, além de supervisão sobre as forças armadas e as diretrizes de segurança nacional. Antes de assumir como aiatolá, Ali Khamenei atuou como presidente do país por dois mandatos consecutivos, consolidando sua autoridade política interna. O Parlamento iraniano, conhecido como Majlis, e o Conselho de Guardiães colaboram formalmente com esse posto, embora o líder supremo detenha prerrogativas que ultrapassam as atribuições desses órgãos.
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O processo de sucessão deverá ser conduzido pela Assembleia de Especialistas, um corpo eleito diretamente pelos cidadãos iranianos. Essa instituição tem a responsabilidade de escolher o novo líder supremo, avaliando critérios religiosos e políticos conforme determinado na Constituição pós-revolucionária de 1979. Historicamente, a transição entre líderes supremos ocorreu apenas uma vez, quando o aiatolá Ruhollah Khomeini faleceu em 1989 e Ali Khamenei foi escolhido em seguida. Agora, os membros da Assembleia de Especialistas precisarão se reunir em sessão extraordinária para definir o próximo nome, o que pode levar semanas ou até meses, dependendo do consenso interno.
Repercussões imediatas já se fizeram notar no Irã. O Ministério das Relações Exteriores emitiu comunicado expressando gratidão pelas manifestações de apoio internacional e reafirmando a continuidade das políticas nacionais e regionais firmadas nos últimos anos. Entidades de caridade e instituições religiosas anunciaram mobilização de comitês de assistência aos enlutados, enquanto canais estatais exibem documentários sobre a trajetória de Ali Khamenei. Em algumas províncias, atos de solidariedade têm sido organizados por grupos de estudantes e clérigos, reforçando o caráter religioso e político da figura do líder supremo.
O contexto internacional acompanha de perto os desdobramentos dessa transição. O Irã, alvo de sanções econômicas e envolvido em negociações nucleares, pode passar por um período de instabilidade até a nomeação do sucessor. Ainda que a sucessão não deva alterar imediatamente as diretrizes de política externa, analistas observam que eventuais mudanças na liderança religiosa podem influenciar o equilíbrio interno entre facções conservadoras e pragmáticas. Até lá, a morte de Ali Khamenei marca um capítulo inédito na história do regime islâmico, abrindo caminho para uma nova etapa na política iraniana.


