
Gus Sanfilippo e o barco Lily Jean antes do trágico naufrágio (Foto: Instagram)
O pescador Sebastian Noto, amigo próximo do capitão Gus Sanfilippo da embarcação Lily Jean, relembra a última conversa com o colega poucas horas antes do naufrágio. Segundo Noto, a ligação ocorreu por volta das 3h, quando Sanfilippo confidenciou que “já não aguentava mais o frio” e chegou a dizer, em tom calmo, “já desisto, está muito gelado”. Apenas algumas horas depois, o sistema de emergência do barco disparou e a sinalização foi captada pela U.S. Coast Guard, marcando o início de uma operação de busca sem resposta.
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Na manhã de sexta-feira, 30 de janeiro, a U.S. Coast Guard recebeu o alerta do emissor de sinal de socorro (EPIRB) da Lily Jean, um aviso automático que indica grave emergência no mar. Após tentativas infrutíferas de contato via rádio e telefonemas, as autoridades emitiram um alerta marítimo urgente para todos os navios na região costeira de Gloucester, Massachusetts. A partir daí, navios-cortador e aeronaves da U.S. Coast Guard patrulharam cerca de 1.047 milhas quadradas sem encontrar sobreviventes, levando ao anúncio da suspensão oficial das buscas no dia seguinte.
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Após descobrir que não havia sinal do barco, Sebastian Noto avaliou que a situação era “muito séria” e arriscada. Ele supõe que o problema pode ter começado com uma falha na bomba de porão, permitindo a entrada gradual de água. “Mesmo com a bomba funcionando, ainda haveria tempo para acionar um Mayday, vestir o traje de sobrevivência e inflar o bote salva-vidas – o barco demora a afundar”, ressaltou Noto, que costuma cruzar as águas de Gloucester em operação conjunta com a Lily Jean.
A ação de resgate contou com helicópteros, aviões de patrulha e lanchas rápidas da U.S. Coast Guard, além de barcos pesqueiros da região. Um corpo sem vida e um bote salva-vidas vazio foram recuperados durante as buscas. Mesmo assim, seis tripulantes continuam desaparecidos. Segundo o comunicado do Capitão Jamie Frederick, comandante do Setor Boston da U.S. Coast Guard, todas as “opções razoáveis” foram esgotadas após 24 horas de esforço ininterrupto, e a decisão de suspender as buscas, embora dolorosa, foi tomada diante das condições adversas e do baixo índice de sobrevivência em águas tão frias.
O uso de EPIRB (Emergency Position-Indicating Radio Beacon) é obrigatório em embarcações comerciais nos Estados Unidos. Quando ativado, o aparelho transmite coordenadas precisas via satélite, facilitando a localização de navios em perigo. No inverno do Atlântico Norte, ventos gélidos e ondas altas podem reduzir drasticamente o tempo de sobrevivência à exposição, tornando cada minuto crucial numa operação de resgate no mar.


