
Abbey Barrett, aos 10 anos, sorri ao lado do ursinho durante o tratamento hospitalar. (Foto: Instagram)
Abbey Barrett e sua mãe, Justine Barrett, passaram a notar sinais de alerta cerca de um ano antes do diagnóstico de câncer cerebral da menina. “Reparamos que Abbey ficava mais cansada que o normal e tinha dificuldades na escola”, explica Justine Barrett. Aos poucos surgiram tremores nas mãos, atribuídos à genética familiar, e alterações na visão, como visão dupla após longas leituras.
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“Só depois de uma avaliação com o oftalmologista é que conseguimos marcar uma ressonância magnética”, continua Justine Barrett. Em junho de 2023, aos 10 anos, Abbey foi oficialmente diagnosticada com um tumor cerebral do tamanho de seu punho, envolto ao tronco cerebral. Menos de um ano depois, em junho de 2024, ela faleceu.
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Os médicos descobriram ainda que Abbey carregava um grave defeito genético chamado síndrome de Li-Fraumeni, condição que impede a morte programada de células anormais. “Foi um golpe descobrir que a falha genética tornava cada célula do corpo dela suscetível ao crescimento descontrolado”, conta Justine Barrett. “Em tese, quem tem Li-Fraumeni tem predisposição hereditária, mas no caso de Abbey foi uma mutação rara e isolada.”
A criança enfrentou um ano intenso de tratamentos, entre quimioterapias, radioterapia e terapias de suporte alternativas. “A radiação reduzia o tumor, mas os esteroides inchavam seu corpo. Quase a perdemos duas vezes durante esse período”, recorda Justine Barrett. “Ela se foi em casa, nos meus braços, um ano após receber a notícia.”
Abbey compreendeu que a morte se aproximava. Para dar sentido a esse fim, mãe e filha criaram juntas a ideia do “Parque dos Filhotes”, um lugar imaginário repleto de árvores carregadas de frutas e cães, onde não há tempo nem saudade. “Eu espero que ela esteja lá, livre de dor, e que a gente se reúna em paz”, diz Justine Barrett.
Após viver um pesadelo médico, Justine descobriu lacunas no atendimento a crianças em fase terminal. Ela lamenta não ter recebido informações claras sobre o prognóstico real de Abbey e ressalta a importância de profissionais especializados, como doulas de fim de vida, que orientem as famílias sobre cuidados práticos e emocionais nessa fase.
Justine Barrett também defende o direito à morte assistida para menores em estágio terminal, apontando que adultos e até animais de estimação podem abortar o sofrimento, enquanto crianças continuam sem opção legal. “Ouvir minha filha luchando para respirar foi um sofrimento indescritível que ninguém deveria enfrentar.”
A família — composta por Justine, o pai e as irmãs de Abbey, de 16 e 15 anos — segue agora uma jornada de luto que alterou de vez suas vidas. “Perder Abbey tirou a cor do mundo; tudo ficou em preto e branco. Minhas filhas perderam parte da infância naquele dia”, diz Justine Barrett.
Hoje, a mãe luta para aumentar a conscientização sobre o câncer cerebral infantil e apoia pesquisas até encontrar tratamentos mais eficazes. “Se vencermos esse tipo de tumor, certamente a medicina avança em toda área oncológica”, afirma Justine Barrett em homenagem à memória da filha.


