
Destroços do voo 5342 da American Airlines içados às margens do rio após colisão com helicóptero Black Hawk (Foto: Instagram)
O National Transportation Safety Board concluiu que a provável causa da colisão em voo entre um Army Black Hawk e o jato regional American Airlines Flight 5342, em janeiro de 2025, decorreu do uso de uma rota de helicóptero que passava rente ao Ronald Reagan Washington National Airport e de uma tentativa mal sucedida de contornar visualmente a aeronave de passageiros. O impacto matou 67 pessoas e se tornou o maior desastre aéreo nos Estados Unidos desde o fim de 2001. O NTSB, agência federal independente encarregada de investigar acidentes de transporte, apontou ainda falhas de design do espaço aéreo e de coordenação que exacerbaram o risco.
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Além dessa rota — apelidada de “rota 4” e estabelecida na década de 1980 — outros fatores contribuíram para o acidente. Foi identificada a falta de revisões periódicas nos trajetos de helicóptero ao redor de Reagan, o que permitiu que o caminho perigoso permanecesse em uso mesmo após alertas anteriores. A separação visual (visual separation) entre as aeronaves, prática em que o piloto deve “ver e evitar” o tráfego ao redor, mostrou-se insuficiente diante do movimento intenso no espaço aéreo. A elevada taxa de chegadas ao aeroporto gerou sobrecarga de trabalho na torre de controle, difícil manutenção de consciência situacional e ausência de procedimentos para emitir alertas urgentes.
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Investigadores destacaram também problemas técnicos: o helicóptero operava acima do limite máximo de 200 pés nas imediações do aeroporto e sua leitura de altímetro estava incorreta, fazendo a tripulação acreditar estar mais baixo do que realmente se encontrava. Ao perceber o jato em aproximação, o piloto do Army Black Hawk tentou manobra de desvio, mas provavelmente observava a aeronave errada em meio ao tráfego noturno e às luzes da cidade, sem o auxílio de sistemas de alerta de colisão mais modernos.
O acidente ocorreu na noite de 29 de janeiro de 2025, quando o American Airlines Flight 5342, vindo de Wichita (Kansas) com 60 passageiros — entre eles jovens patinadores — e quatro tripulantes, se aproximava da pista 33. Ao mesmo tempo, o Army Black Hawk transportava três militares em voo noturno de avaliação: a piloto Captain Rebecca Lobach, o instrutor Chief Warrant Officer 2 Andrew Eaves e o Staff Sergeant Ryan O’Hara. Nenhum ocupante das duas aeronaves sobreviveu.
Em audiência realizada em 27 de janeiro, a presidente do NTSB, Jennifer Homendy, afirmou que “essa rota de helicóptero não deveria existir desde o início” e classificou o desenho do espaço aéreo como “terrível”. Ela também ressaltou a sobrecarga de trabalho dos controladores da FAA no momento e a ausência de protocolos eficazes para emitir avisos de tráfego mais claros ao Flight 5342 e ao helicóptero.
Um relatório preliminar divulgado em 11 de março revelou que, entre outubro de 2021 e dezembro de 2024, ocorreram 15.214 aproximações perigosas de helicópteros e aviões no espaço aéreo ao redor de Reagan, sendo 85 delas com separação inferior a 200 pés. A investigação identificou ainda falhas de monitoramento e implementação de recomendações de segurança tanto pelo Exército quanto pela FAA.
Comentários do controlador de tráfego acrescentaram detalhes sobre as comunicações: apesar de o helicóptero ter sido avisado para “manter separação visual e passar atrás” do jato, uma breve interrupção de áudio impediu que a tripulação ouvisse o alerta. Posteriormente, o Departamento de Justiça reconheceu que o piloto do Army Black Hawk e o controlador contribuíram para o acidente ao não manter vigilância adequada e deixar de emitir avisos urgentes, admitindo responsabilidade em processo movido por famílias das vítimas.

