
Chamas consomem a fábrica de biscoitos Violanta em Trikala, na Grécia, na manhã de 26 de janeiro. (Foto: Instagram)
Um incêndio de grandes proporções atingiu na manhã de segunda-feira, 26 de janeiro, as instalações da fábrica de biscoitos Violanta, localizada nos arredores de Trikala, na região da Tessália, Grécia. A explosão e as chamas foram tão intensas que, segundo o porta-voz do corpo de bombeiros, não há esperança de encontrar sobreviventes entre os desaparecidos. O vice-prefeito de Proteção Civil de Trikala, Giorgos Katavoutas, acompanhou as operações de resgate e declarou a gravidade da tragédia.
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Em comunicado à imprensa, veículos locais e a BBC informaram que 13 trabalhadores estavam no turno quando o fogo teve início em uma das linhas de produção da Violanta. Oito pessoas conseguiram escapar pelas saídas de emergência antes da propagação das chamas. Os bombeiros controlaram parcialmente o incêndio após várias horas de combate, usando equipamentos de proteção química para neutralizar gases tóxicos liberados pela queima de óleos e bolsas plásticas presentes na unidade fabril.
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Quatro das vítimas fatais eram mulheres, segundo informou a Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE), que também apurou as condições precárias de segurança em algumas áreas da unidade. Ainda não há detalhes sobre o quarto corpo resgatado, e um funcionário permanece desaparecido sob escombros carbonizados. As equipes de resgate trabalharam com histórico de inventário dos turnos para identificar os operários e contatar as famílias.
Sete pessoas foram encaminhadas a hospitais da região, entre elas um bombeiro com leves queimaduras nos braços. O ministro da Saúde da Grécia, Adonis Georgiadis, acompanhou o atendimento aos feridos e garantiu que nenhum dos internados apresenta risco de morte. Ele ressaltou que os serviços de urgência do país estão preparados para atender grandes incidentes e que kits de hidratação e atendimento psicológico foram disponibilizados à população local.
Até o momento, a causa do incêndio na fábrica da Violanta permanece sob investigação. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis determinou que peritos do corpo de bombeiros e inspetores de segurança do trabalho apurem responsabilidades em todos os setores da empresa. “Precisamos entender o que falhou para evitar que tragédias assim se repitam e garantir responsabilidade a quem não cumpriu normas”, declarou Mitsotakis em entrevista coletiva.
Fundada em 1972, a Violanta é uma das maiores fabricantes de biscoitos e cereais da Grécia, com portfólio de mais de 130 produtos que incluem biscoitos recheados, bolachas para o café da manhã, wafers e granolas. A fábrica de Trikala respondia por cerca de 30% da produção anual da marca, abastecendo redes de supermercados e exportando para países vizinhos. Em nota oficial, a empresa afirmou: “Neste momento, só nos preocupam nossos colaboradores e suas famílias. Prestaremos todo o apoio necessário”.
O setor de alimentos industrializados na Grécia é regulado por normas rígidas de prevenção de incêndios, incluindo saídas de emergência, sistemas de sprinklers e brigadas internas de combate a princípio de fogo. Após o acidente na Violanta, autoridades do Ministério do Trabalho analisam a recorrência de fiscalizações e promovem reuniões com sindicatos e órgãos de proteção civil para revisar protocolos. Especialistas ressaltam a importância de exercícios periódicos de evacuação e auditorias externas para a segurança de unidades fabris.
A GSEE já anunciou apoio jurídico e assistência financeira às famílias das vítimas, além de pressionar por maior transparência nas investigações. Também ocorrerão vistorias em outras fábricas de biscoitos do país para verificar condições das rotas de fuga e conservação de equipamentos de alarme. A tragédia reacende o debate sobre as condições de trabalho e a necessidade de reforçar políticas públicas de inspeção industrial em todo o território grego.

