
Coiote realiza façanha inédita nadando até Alcatraz (Foto: Instagram)
No dia 11 de janeiro, um coiote foi visto nadando até a Ilha de Alcatraz e realizando uma façanha nunca antes documentada, segundo relato do funcionário Aidan Moore para o SFGate, confirmação de Julian Espinoza, porta-voz do Golden Gate National Recreation Area, e análise da cientista conservacionista Christine Wilkinson.
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Testemunhas afirmam que o animal surgiu exausto na costa rochosa sul da ilha, próximo à Trilha Agave, após atravessar aproximadamente 2 km de água fria e agitadas correntes da Baía de São Francisco. Imagens capturadas por visitantes mostram o coiote ofegante e tremendo, evidenciando o esforço exigido para vencer ondas e correntes que chegaram a 15 km/h — velocidade atribuída a vazamentos de águas pluviais após tempestades recentes.
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Logo após avistar o animal, Aidan Moore, funcionário de relações com visitantes da Alcatraz City Cruises, duvidou inicialmente da história até rever o vídeo. “Eu não acreditei de imediato; só vi quando analisei as imagens”, disse Moore ao SFGate. Ele comunicou imediatamente o avistamento aos guardas do parque, que realizaram buscas sem localizar o coiote novamente. Moore ressaltou que a ilha fica a “uma milha e um quarto” da costa, um trajeto inédito para essa espécie naquele ponto.
Roupas encharcadas e pêlo eriçado indicavam que o animal havia sido empurrado pelas fortes correntes em direção à ilha. O capitão do barco confirmou haver fortes fluxos de água no local, possivelmente decorrentes de enxurradas e marés altas, circunstâncias que podem ter levado o coiote a cair na água enquanto perseguia uma presa.
Julian Espinoza, porta-voz do Golden Gate National Recreation Area, destacou que “coyotes são comuns nas áreas de São Francisco e Marin, mas nunca antes registrados em Alcatraz”. A ilha, famosa pela ex-penitenciária federal desativada, é cercada de penhascos e distante o suficiente para tornar improvável qualquer aparição terrestre desse mamífero.
Para a bióloga e ecóloga de carnívoros Christine Wilkinson, o comportamento pode representar uma tentativa de dispersão em busca de território durante a época de acasalamento. Wilkinson aponta que coyotes jovens costumam deslocar-se grandes distâncias, enfrentando obstáculos como rodovias — o que faz do mar, apesar dos riscos, um caminho alternativo.
A travessia envolve desafios além das correntes: temperaturas baixas, exaustão e o risco de choque térmico. Além disso, o tráfego intenso na rodovia Interstate 280, ao sul da cidade, tem contribuído para atropelamentos e forçado esses animais a buscar rotas pouco convencionais.
Até o momento, não se sabe se o coiote retornou ao continente, permaneceu escondido na ilha ou foi arrastado de volta pela maré. Autoridades monitoram rotineiramente a região, mas o paradeiro do mamífero permanece desconhecido.

