
Itaipu informou que mantinha cerca de R$ 1 bilhão depositado no Ueno Bank, instituição dissolvida pelo Banco Central do Paraguai. (Foto: Instagram)
A parcela paraguaia da Itaipu Binacional mantinha no banco digital Ueno um saldo equivalente a cerca de R$ 1 bilhão. A instituição faliu e desencadeou uma crise financeira no país, que levou ao impeachment e à prisão do ex-presidente Santiago Peña.
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Em comunicado publicado neste sábado (7/11) no perfil da Itaipu Binacional no Instagram, a companhia informou que tinha US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis depositados no Ueno Bank.
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Somados, os dois valores correspondem a aproximadamente US$ 182,2 milhões. Com a cotação do dólar no Brasil nessa sexta-feira (6/11), a quantia chega a cerca de R$ 1,003 bilhão.
De acordo com a Itaipu Binacional, o montante equivale a 7,6% dos recursos recebidos em remessas do Brasil desde janeiro de 2025, quando a companhia começou a operar com o Ueno Bank.
Na mesma publicação, a Itaipu Binacional afirma que, entre 2024 e 2026, o Paraguai registrou “níveis históricos de disponibilidade de caixa”, com o envio de um total de US$ 2,409 bilhões ao país em remessas do Brasil.
“Os montantes compreendem receitas recebidas da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) e transferências entre contas da Entidade de acordo com o fluxo de disponibilidades de Caixa orientadas para o atendimento de obrigações contratuais e compromissos derivados de convênios”, diz trecho do comunicado publicado neste sábado.
A Itaipu Binacional afirma que a situação não prejudica “o desenvolvimento normal das atividades”, mas que buscará reaver os recursos.
“A Itaipu Binacional iniciou as ações legais perante a Procuradoria-Geral do Estado com o objetivo de recuperar os fundos. Paralelamente, com esta mesma finalidade, acompanha as disposições e procedimentos do Banco Central do Paraguai, determinados nos termos da lei, a fim de esgotar todas as diligências legais e administrativas de rigor”, diz trecho do comunicado.
FALÊNCIA DO BANCO UENO
- O Banco Ueno foi dissolvido na última terça-feira (3/11) pelo Banco Central paraguaio, que constatou que seu nível de solvência havia caído para menos da metade do mínimo necessário.
- Com 2,9 milhões de clientes, aproximadamente 40% da população paraguaia, o banco era a maior instituição digital do país. Após a dissolução, milhares de pessoas ficaram sem acesso ao dinheiro depositado.
- O Ministério Público acusa a empresa de alterar a situação patrimonial do banco para conferir credibilidade às operações, além de conceder empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.
- A dissolução do Ueno levou à saída de Santiago Peña da presidência do Paraguai. Ele foi acionista do grupo controlador do banco até o ano passado.
- O Congresso paraguaio aprovou o impeachment de Peña em dois dias: na quinta, a Câmara abriu o processo por unanimidade e, nessa sexta, o Senado votou pela destituição do presidente paraguaio.
- Peña também é alvo de investigação criminal pelo suposto envolvimento no escândalo financeiro.
- Na noite dessa sexta, ele foi preso pela Polícia Nacional. O ex-presidente foi detido em sua casa, em Assunção, capital paraguaia.
- Neste sábado, após solicitação do Ministério Público, a Justiça paraguaia decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
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