
Senado do Paraguai convoca Santiago Peña para apresentar defesa em julgamento político (Foto: Instagram)
O Senado do Paraguai convocou o presidente Santiago Peña para apresentar sua defesa no julgamento político aberto contra ele nesta quinta-feira (5/11). Ele deverá comparecer às 10h desta sexta-feira (6/11) para responder às acusações feitas pelos deputados.
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A convocação foi confirmada pelo presidente do Senado, Basilio Núñez, após o fim da primeira sessão do julgamento, às 21h. Segundo ele, Peña poderá ir pessoalmente ou enviar representantes legais para expor os argumentos de defesa.
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Núñez afirmou, ao deixar o plenário, que os fiscais acusadores já apresentaram a denúncia e que agora as acusações serão encaminhadas ao presidente, para que ele prepare sua defesa.
O julgamento político teve início às 19h45, depois que a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra Peña. Os deputados Rodrigo Blanco, Raúl Benítez, Rocío Vallejo, Adrián Vaesken, Pedro Gómez, Mauricio Espínola, Luis Fernando Franco e Carlos Núñez Salinas foram designados para sustentar a denúncia perante os senadores.
Em publicação nas redes sociais, Peña afirmou que exercerá seu direito de defesa nesta sexta-feira. O presidente também informou à população que decidiu enfrentar o processo.
Núñez declarou que o julgamento seguirá os prazos previstos no regimento do Senado, distribuídos em cinco sessões extraordinárias. Após a apresentação da defesa, os parlamentares deverão examinar as provas, ouvir os argumentos das partes e realizar uma votação nominal.
O presidente do Senado disse que os prazos do regimento estão sendo respeitados porque já existem denúncias sobre procedimentos acelerados perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Núñez acrescentou que o Senado pretende concluir o julgamento político ao longo desta sexta-feira, se os prazos processuais permitirem.
Para destituir Peña, são necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores. Se o afastamento for aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência da República, seguindo a ordem de sucessão constitucional.
JULGAMENTO OCORRE APÓS CRISE POLÍTICA
O processo foi aberto depois que a sessão conjunta do Congresso convocada para analisar a renúncia apresentada por Peña ficou sem quórum. Deputados do Partido Colorado deixaram o plenário e impediram que a votação continuasse.
Peña anunciou a renúncia em meio a uma crise política e bancária envolvendo o Ueno Bank, instituição que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) na terça-feira (3/11).
A medida foi tomada depois que o Banco Central constatou que o índice de solvência do banco estava abaixo do mínimo exigido, de 50%. Com a intervenção, as operações foram suspensas, e quase 3 milhões de clientes ficaram sem acesso aos serviços bancários.
O presidente, que já foi acionista de um grupo ligado ao banco, era acusado de ser conivente com irregularidades relacionadas à instituição financeira.
Peña pediu desculpas aos paraguaios que perderam acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar para preservar a estabilidade nacional.
Ele afirmou estar convencido de que nenhum cargo deve estar acima do bem-estar do Paraguai e também pediu desculpas à população. Disse ainda que, se falhou em algum momento, não teve a intenção de decepcionar a confiança depositada nele.
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