
A síndrome de couvade pode fazer com que pais ou parceiros de gestantes sintam sintomas semelhantes aos da gravidez, como enjoos, cansaço e mudanças de humor. (Foto: Instagram)
A gravidez provoca mudanças no corpo da mulher, como alterações no apetite, enjoos matinais, atraso menstrual e sensibilidade nas mamas, entre outros sinais. Embora esses efeitos atinjam o organismo da mãe, não são necessariamente exclusivos dela. A síndrome de couvade, também chamada de gravidez compartilhada, ocorre quando “o pai ou parceiro da gestante começa a apresentar sintomas parecidos com os da gravidez, mesmo sem estar grávido”, explica a psicóloga Cibele Pejan.
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Por mais incomuns que pareçam, esses sintomas sentidos pelo homem são reais e podem afetar seu organismo de maneira semelhante à gravidez. “A pessoa não está ‘inventando’ nem ‘fazendo cena’. Ela realmente pode sentir náusea, cansaço, mudanças no apetite, alterações de humor e outros desconfortos. O corpo muitas vezes expressa o que está sendo vivido emocionalmente”, afirma.
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MANIFESTAÇÕES MAIS FREQUENTES
Os sinais mais comuns da síndrome de couvade são muito parecidos com os que a mulher pode sentir durante a gravidez. Cansaço, irritabilidade acentuada, alterações no sono, ansiedade, enjoos, ganho ou perda de peso, dores no corpo e sensibilidade emocional estão entre os sintomas citados pela psicóloga.
A questão, então, é se a síndrome tem origem hormonal, emocional ou em ambos os fatores. De acordo com a especialista, as duas possibilidades existem.
“É muito provável que sejam os dois. Há um componente emocional importante, relacionado à ansiedade, ao vínculo com a gestação e ao impacto da chegada do bebê. Também existem hipóteses de mudanças fisiológicas e hormonais associadas a esse processo”, diz Cibele.
A ansiedade e a conexão com a gestação podem estar entre os fatores que levam o homem a desenvolver a síndrome. O aspecto emocional pode motivar o corpo a reagir de diferentes formas.
“Quanto maior o envolvimento emocional da pessoa com a gravidez, mais intensa pode ser essa mobilização. Às vezes, ela se manifesta como carinho, identificação e empatia. Em outros casos, surge como preocupação, medo e ansiedade diante das mudanças que estão por vir”, afirma a psicóloga.
A SÍNDROME DE COUVADE É COMUM OU AINDA É POUCO ESTUDADA?
Embora o tema seja conhecido, Cibele ressalta que ainda há poucos estudos aprofundados sobre ele. A área médica já reconhece que não se trata de uma síndrome incomum, mas ainda faltam evidências teóricas e clínicas suficientes para determinar a frequência desses sintomas.
“Sabemos que não é algo tão raro quanto parece, mas ainda faltam pesquisas mais amplas para entender melhor por que acontece e com que frequência”, afirma.
Diante disso, é importante distinguir se os sinais são passageiros ou se indicam um sofrimento psíquico mais significativo.
A especialista alerta que “quando os sintomas são leves e passageiros, geralmente fazem parte de um momento de adaptação. No entanto, quando começam a atrapalhar o sono, o trabalho, a relação do casal ou causam sofrimento intenso, é importante olhar com mais cuidado. A intensidade e o impacto na vida são os principais sinais de atenção”.
Isso evidencia como a saúde mental masculina e a parentalidade podem repercutir em outras áreas da vida do homem. A gestação afeta profundamente o lado emocional de pais e parceiros, e cada pessoa pode reagir de um jeito às mudanças trazidas pela chegada de uma nova vida. Segundo a especialista, muitos homens não se sentem à vontade para falar de seus medos e inseguranças, e o corpo acaba manifestando essas questões.
“O homem ou companheiro sente medo, insegurança e responsabilidade, porém, não encontra espaço para falar disso; o corpo acaba falando.”
COMO ACOLHER OS SINTOMAS?
Para amenizar os desconfortos físicos e emocionais, o melhor caminho é levar a sério o que o parceiro ou pai relata. Para Cibele, “o primeiro passo é não ridicularizar” o homem.
A psicóloga destaca que envolver o parceiro na gestação pode ajudá-lo a conversar sobre medos, expectativas e sentimentos, além de estimular cuidados com a rotina, o sono e a saúde emocional.
Se os sintomas se intensificarem e persistirem, é importante procurar ajuda profissional. Conversar com um psicólogo ou médico pode ser muito útil para enfrentar esse período de grandes mudanças.
Tags: gestação, gravidez, homem, saúde mental


