
Navi Pillay, laureada com o Nobel da Paz 2026 (Foto: Instagram)
A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por sua dedicação em defender vítimas de guerras, combater genocídios e responsabilizar autores de crimes contra a humanidade. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel nesta sexta-feira, 9 de outubro, em Oslo, Noruega.
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++ Navi Pillay é reconhecida por seu trabalho em garantir que vítimas de conflitos e violência tenham acesso à justiça. Ela foi fundamental na criação de decisões históricas que classificam o estupro como crime contra a humanidade e genocídio em certas circunstâncias. Sua atuação foi marcante em casos como o massacre de Ruanda, perseguições aos rohingyas em Myanmar e denúncias de crimes na Faixa de Gaza.
O Comitê Nobel destacou os esforços de Navi para promover a paz e o direito internacional, ajudando a estabelecer mecanismos para que os responsáveis por crimes de guerra e genocídio sejam julgados, independentemente de sua influência política. A cerimônia de entrega do prêmio ocorrerá em 10 de dezembro, em Oslo.
Navi Pillay estava em Nuremberg, Alemanha, quando recebeu a notícia e dedicou o prêmio aos sobreviventes de crimes internacionais e aos que lutam por justiça. Ela é a quinta sul-africana a ganhar o Nobel da Paz, um feito comemorado pelo presidente Cyril Ramaphosa e por organizações de direitos humanos.
Uma de suas contribuições mais significativas foi no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde participou do reconhecimento de que estupros e violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e genocídio. Essa mudança foi crucial para o reconhecimento da violência sofrida por mulheres em conflitos armados.
Nascida em 1941, em Durban, Navi cresceu sob o apartheid e, em 1967, abriu um escritório de advocacia para defender perseguidos pelo regime, incluindo ativistas ligados a Nelson Mandela. Estudou em Harvard e foi uma das primeiras mulheres não brancas a ocupar cargos de destaque no Judiciário sul-africano.
De 2021 a 2025, Navi liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e territórios palestinos. Em 2025, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, uma afirmação rejeitada pelo governo israelense. Navi também atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça, no caso de genocídio contra os rohingyas em Myanmar.


