Documentos da Polícia Federal tornados públicos por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam detalhes da estrutura da chamada “A Turma”, grupo apontado como uma milícia privada que atuaria em defesa dos interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de sua família.
Segundo a investigação, a organização contava com armamento pesado, incluindo fuzis e até mesmo atiradores de elite (snipers), além de veículos blindados, números de telefone registrados no exterior e encontros presenciais realizados em locais isolados para evitar monitoramento. O orçamento mensal que chegava a R$ 1 milhão para bancar as ações do grupo.
De acordo com a PF, o grupo era formado por policiais federais, operadores ligados ao jogo do bicho e integrantes com perfil paramilitar. A estrutura seria controlada por Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, tendo como principal operador Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
As investigações apontam que a organização possuía recursos compatíveis com uma estrutura de grande porte. Em diálogos interceptados, integrantes mencionam operações de segurança envolvendo homens armados com fuzis e carros blindados. Em uma conversa citada pela PF, um dos participantes afirma que visitantes ficaram assustados ao serem recebidos por um aparato que compararam à “Rússia de Putin”.
Outro trecho da investigação relata o uso de um sniper durante uma reunião ligada aos interesses da família Vorcaro. Segundo a PF, Manoel Mendes Rodrigues, apontado como líder do braço da organização no Rio de Janeiro, afirmou que posicionou o atirador à distância para garantir a segurança do encontro.
A Polícia Federal também identificou o uso de linhas telefônicas internacionais para dificultar o rastreamento das comunicações. Henrique Vorcaro teria utilizado um número registrado na Colômbia, enquanto outros integrantes mantinham contatos por linhas dos Estados Unidos.
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Além das suspeitas de monitoramento clandestino e intimidação de desafetos, a PF afirma que o grupo era utilizado para levantar informações sigilosas e executar ações em favor dos interesses de Daniel Vorcaro.
Entre os episódios investigados está um suposto plano para incriminar o ex-jogador da NBA e DJ Ronald Seikaly. Segundo diálogos interceptados, Vorcaro chegou a discutir a possibilidade de simular um flagrante envolvendo drogas contra o ex-atleta e mencionou a intenção de investir até R$ 10 milhões na operação.
A investigação também aponta que integrantes da organização chegaram a produzir um documento falso atribuído à Interpol para obter informações sobre Seikaly.



