Documentos analisados pela agência Reuters apontam que refinarias brasileiras venderam mais de 100 milhões de litros de nafta para a empresa Petrodansk, investigada por suposto envolvimento em um esquema de fraude em combustíveis e lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a reportagem, um dos principais fornecedores foi a Refinaria Riograndense, localizada no Rio Grande do Sul e controlada por Petrobras, Braskem e Ultrapar. Os registros constam em documentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com uma fonte próxima à investigação citada pela Reuters, o Ministério Público de São Paulo apura se a nafta fornecida à Petrodansk teria sido desviada para postos de combustíveis em um esquema de contrabando e lavagem de dinheiro supostamente ligado à facção criminosa.
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A investigação também ganhou relevância internacional após os Estados Unidos classificarem o PCC como Organização Terrorista Estrangeira, medida que amplia a atenção sobre empresas e operações que possam ter ligação direta ou indireta com o grupo.
Os documentos da ANP indicam que parte dos carregamentos enviados pela Refinaria Riograndense à Petrodansk entre 2023 e 2024 teria ocorrido sem a utilização do marcador químico exigido pela regulamentação para combater fraudes no setor.
Em nota, a refinaria afirmou que a situação ocorreu devido a uma falha operacional não intencional e que o problema já foi corrigido.
A Petrodansk não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters. Em manifestação publicada nas redes sociais, a empresa negou irregularidades e declarou que apresentará esclarecimentos no momento adequado.
Petrobras e Ultrapar informaram que a Refinaria Riograndense possui gestão independente e que não foram notificadas sobre qualquer investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. A Braskem não comentou o caso.
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A Refinaria Riograndense informou ainda que interrompeu as vendas para a Petrodansk em outubro de 2024, após um processo interno de verificação identificar possíveis indícios de não conformidade. Segundo a empresa, todas as autorizações legais e regulatórias exigidas para a aquisição do produto pela compradora estavam válidas no período dos fornecimentos.



