
Datacenters de IA e o fenômeno das “ilhas de calor” (Foto: Instagram)
A expansão mundial dos datacenters utilizados para suportar sistemas de inteligência artificial está chamando a atenção dos cientistas por uma razão inesperada: o calor. De acordo com um estudo recente da Universidade de Cambridge, essas instalações podem estar gerando "ilhas de calor" nas regiões onde são construídas, aumentando a temperatura da superfície local.
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Datacenters são grandes complexos repletos de servidores, cabos, sistemas elétricos e equipamentos de refrigeração. Eles funcionam como a infraestrutura física que suporta a vida digital, processando desde pesquisas na internet até ferramentas de IA generativa. No entanto, toda essa operação demanda energia, necessita de resfriamento constante e pode interferir no ambiente local.
Para entender esse impacto, os pesquisadores analisaram dados de temperatura ao longo de 20 anos em locais onde foram construídos datacenters. O estudo focou em cerca de 6.000 instalações situadas fora de áreas urbanas densas, visando minimizar a influência de fatores como fábricas, trânsito intenso e outras fontes de calor típicas das cidades grandes.
Os pesquisadores tentaram descontar fatores externos, como aquecimento global e variações sazonais, para observar melhor o impacto direto dos datacenters. O resultado foi notável: em média, a temperatura da superfície aumentou cerca de 2 °C após a instalação dessas estruturas.
Em alguns casos específicos, o aumento foi de aproximadamente 9,1 °C, um valor elevado que ainda precisa ser mais bem compreendido. Segundo a reportagem, os cientistas estimam que esse fenômeno pode afetar mais de 340 milhões de pessoas no mundo, especialmente se a expansão da IA continuar no ritmo atual.
Andrea Marinoni, professor associado da Universidade de Cambridge, disse à CNN que ainda há muitas lacunas no entendimento de como esses datacenters impactam o planeta. O estudo, portanto, serve como um alerta inicial em uma área que ainda carece de respostas definitivas.
Especialistas como a professora emérita Deborah Andrews, da London South Bank University, comentaram que o trabalho é pioneiro e necessita de mais validação. Ela também expressou preocupação com a rapidez do crescimento da infraestrutura de IA.
Segundo Andrews, "a corrida pelo ouro da IA parece estar superando as boas práticas e o pensamento sistêmico, desenvolvendo-se mais rapidamente do que sistemas mais amplos e sustentáveis".
Outro especialista, Ralph Hintemann, mostrou cautela em relação aos números mais altos, classificando-os como "interessantes" e "muito elevados". A reação indica que o tema ainda precisa de mais análises antes de se tornar um consenso.
Entre as propostas discutidas pelos pesquisadores está o desenvolvimento de softwares "conscientes de carbono", que ajustariam as operações conforme a disponibilidade de energia mais limpa. A ideia é diminuir a pegada ambiental da IA em um momento em que servidores, algoritmos e sistemas de refrigeração se multiplicam silenciosamente pelo planeta.


