
Jordan Adams cruza a Maratona de Londres com geladeira nas costas para dar visibilidade à demência frontotemporal (Foto: Instagram)
A Maratona de Londres teve início neste domingo, reunindo milhares de corredores pelas ruas da capital inglesa. Contudo, uma das narrativas mais notáveis da corrida não está relacionada ao tempo dos atletas. Enquanto os competidores de elite buscam romper a barreira das duas horas, outros participantes se destacam por razões distintas.
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Entre fantasias, desafios físicos inusitados e campanhas de arrecadação, Jordan Adams se sobressaiu. Ele optou por completar os 42,2 km da prova com uma geladeira amarrada às costas.
A cena por si só já chamaria atenção. No entanto, para Jordan, o peso extra não é apenas uma aposta ou um meio de se destacar. A geladeira simboliza uma carga invisível que ele e muitos outros carregam diariamente.
Jordan participa da maratona junto com seu irmão, Cian, em uma missão ainda maior: correr 32 maratonas em 32 dias para aumentar a conscientização sobre a demência frontotemporal, conhecida como FTD.
A doença neurodegenerativa afeta progressivamente o cérebro, alterando comportamento, personalidade, linguagem e funções cognitivas. Para os irmãos Adams, o tema é pessoal, pois faz parte da história familiar deles.
Jordan e Cian eram adolescentes quando sua mãe, Geraldine, foi diagnosticada com demência frontotemporal. A condição progrediu ao longo dos anos, alterando profundamente a vida da família.
Cinco anos após o diagnóstico, Geraldine faleceu. Depois dessa perda, os irmãos descobriram que ambos possuem um gene raro associado à FTD, indicando que provavelmente enfrentarão um diagnóstico semelhante na casa dos 40 anos.
Jordan já expressou publicamente o impacto dessa revelação. Ele menciona que a parte mais cruel é saber o que o futuro reserva, pois testemunhou de perto a progressão da doença em sua mãe.
“É cruel porque eu sei exatamente o que está vindo. Eu vi cada etapa desse processo, vendo minha mãe ser despida de tudo que fazia dela quem ela era, e o efeito que isso teve não só nela, mas nas pessoas ao redor dela”, disse Jordan.
Apesar desse cenário, os irmãos decidiram transformar a dor em ação. No ano passado, Jordan e Cian correram por todo o Reino Unido para arrecadar fundos e chamar atenção para a causa.
Agora, a nova campanha eleva o esforço físico a outro nível. Além de enfrentar uma série de 32 maratonas, Jordan escolheu correr a prova de Londres com uma geladeira nas costas, sob o calor da cidade.
A corrida também está relacionada à saúde mental. Jordan compartilhou com a instituição Mind que sofreu muito após a morte da mãe e ao descobrir sua própria predisposição genética.
“Eu desmoronei. Depressão. Pensamentos intrusivos. A sensação de que meu futuro já tinha sido escrito”, afirmou.
Ele também destacou que o apoio de outras pessoas foi crucial nesse período. “Mas o que me salvou foram as pessoas. Amigos. Família. Apoio. Pessoas que me ajudaram a carregar o peso quando ele parecia insuportável. E é disso que se trata.”
Para Jordan, correr com uma geladeira nas costas é uma maneira visual de expor algo que geralmente permanece oculto. O objeto serve como um símbolo da carga emocional, mental e familiar que muitos enfrentam em silêncio.
“Esta maratona com uma geladeira nas minhas costas não é apenas um desafio. É um símbolo. Porque é assim que às vezes parece: como se você estivesse carregando algo pesado que ninguém mais consegue ver. Estou fazendo isso para tornar a demência visível. Mas, mais do que isso… para mostrar que, seja lá o que você esteja carregando, você não precisa carregar sozinho.”
Jordan também afirmou que, apesar da tristeza relacionada à sua situação, ele vê uma oportunidade de ajudar outras pessoas.
“Tenho uma grande oportunidade, apesar da tristeza das minhas circunstâncias, de fazer a diferença e mudar a vida de milhares de pessoas no futuro.” A imagem de um homem correndo mais de 42 km com uma geladeira nas costas chamou atenção por parecer absurda à primeira vista. Mas, por trás do gesto, há uma história familiar marcada por perda, risco genético, saúde mental e o desejo de dar visibilidade a uma doença que muitas vezes avança de forma silenciosa dentro das casas.


