
Ilustração do trato digestivo com tumor colorretal destacado: ultraprocessados associados ao risco aumentado de câncer de intestino. (Foto: Instagram)
Muitos dos alimentos que formam a base da dieta moderna pertencem a um grupo específico de produtos que tem gerado preocupação entre especialistas em saúde ao redor do mundo.
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Esses produtos são chamados de alimentos ultraprocessados. Eles são encontrados em praticamente todos os carrinhos de supermercado, incluindo itens comuns como pães de forma industrializados, cereais matinais, presuntos, salsichas e salgadinhos. O consumo frequente desses alimentos tem sido ligado a um aumento significativo no risco de desenvolver câncer de intestino.
O médico do NHS, Chris van Tulleken, que escreveu um livro detalhado sobre o assunto, destaca que esse tipo de alimentação se tornou uma ameaça global sem precedentes. Segundo ele, esses produtos já superaram o tabaco como a principal causa de morte precoce no mundo.
Na prática, isso significa que a dieta atual pode ser mais perigosa para a humanidade do que o hábito de fumar. Diversas pesquisas científicas já estabeleceram ligações diretas entre o consumo desses produtos e a diminuição da qualidade de vida das populações.
Um estudo realizado na China mostrou que altos níveis de consumo de ultraprocessados estão fortemente associados ao desenvolvimento de câncer colorretal.
Os pesquisadores observaram que, em países ocidentais como o Reino Unido, esses produtos representam uma parte desproporcional da dieta diária das pessoas. Os números são alarmantes, especialmente entre os jovens. Entre as crianças, esses alimentos representam 65,4% da ingestão energética. Para adolescentes, esse número sobe para 67,8%, enquanto nos adultos a média é de 54,3%.
Substâncias comestíveis industriais
A crítica de especialistas como Van Tulleken vai além das tabelas nutricionais. Ele argumenta que esses produtos nem deveriam ser considerados alimentos. Para o médico, o termo mais apropriado seria substâncias comestíveis processadas industrialmente, destacando o caráter artificial de muitos componentes encontrados nas prateleiras.
Ele explica que há agora uma década de evidências muito claras de que os alimentos ultraprocessados são os responsáveis não apenas pela pandemia de ganho de peso e obesidade, mas também por uma longa lista de outros problemas de saúde, incluindo a morte precoce.
O médico sugere que a sociedade deve começar a tratar esses produtos como substâncias viciantes. Ele aconselha os consumidores a lerem atentamente a lista de ingredientes nos rótulos.
Segundo sua visão, ao perceber a quantidade de aditivos químicos e elementos artificiais, a pessoa naturalmente sentiria repulsa, o que ajudaria a mudar hábitos alimentares. A ideia é que a percepção visual do que realmente compõe o produto sirva como um freio para o consumo excessivo.
Dificuldades na comprovação direta
Apesar das fortes evidências, instituições como a Cancer Research UK adotam uma postura cautelosa. A organização esclarece que ainda não é possível afirmar que os alimentos ultraprocessados causam câncer de forma direta e isolada.
O que existe, no momento, são vários estudos que mostram uma forte ligação entre o consumo desses alimentos e o aumento do risco da doença. A complexidade de provar um vínculo direto reside no fato de que os seres humanos possuem uma dieta variada ao longo da vida.
Isolar o efeito de um único tipo de alimento é um desafio logístico para os cientistas. Como os participantes das pesquisas consomem diversos tipos de nutrientes e substâncias, torna-se difícil atribuir a culpa exclusivamente a um único grupo alimentar.
No entanto, o aumento nos casos de câncer de intestino entre jovens é descrito pela organização como um fenômeno global. Uma pesquisa realizada em 50 países revelou que em 27 deles as taxas da doença estão em uma trajetória de crescimento constante.


