
Donald Trump em evento após derrubada pelo Supremo dos EUA das tarifas de 2025 (Foto: Instagram)
A decisão anunciada por Donald Trump chegou horas depois de a Suprema Corte dos EUA ter derrubado o tarifaço que ele próprio havia imposto em 2025. A medida, que havia elevado de forma expressiva as alíquotas sobre diversos produtos importados, enfrentou contestação judicial desde o momento de sua promulgação. No acórdão, o tribunal federal concluiu que o presidente excedeu os limites de sua autoridade ao adotar tais taxas, gerando repercussões que se estenderam por todo o cenário comercial internacional.
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O julgamento da Suprema Corte dos EUA avaliou se o aumento geral das tarifas cumpria as exigências constitucionais e legais para medidas de comércio exterior. No entendimento dos ministros, a imposição tinha caráter discriminatório e impactava tanto países aliados quanto parceiros estratégicos, contrariando princípios de isenção tributária previstos na legislação norte-americana. A decisão contou com votos favoráveis de uma maioria confortável, sinalizando a preocupação do Judiciário com o alcance do poder executivo em questões econômicas.
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Donald Trump reagiu de imediato à determinação judicial, argumentando que o tarifaço era fundamental para proteger indústrias nacionais e salvaguardar empregos locais. Em comunicado, o ex-presidente ressaltou que pretendia recorrer da decisão e buscar novas vias para manter as medidas de proteção comercial em vigor. A declaração destacou a continuidade do plano de utilizar instrumentos tarifários como forma de influenciar acordos e pressionar parceiros comerciais a renegociarem contratos bilaterais.
O uso de tarifas como instrumento de política externa não é novidade na história dos Estados Unidos. Desde meados do século XIX, diferentes administrações recorreram a mecanismos alfandegários para balancear déficits comerciais, promover o desenvolvimento de setores estratégicos e ajustar desequilíbrios na balança de pagamentos. No entanto, o caso de 2025 se destacou pela amplitude do aumento, atingindo uma variedade extensa de bens, de aço e alumínio a produtos eletrônicos e agrícolas.
No âmbito legal, a Suprema Corte dos EUA fundamentou-se em dispositivos constitucionais que atribuem ao Congresso, e não ao Executivo, a competência para legislar sobre tributos e comércio exterior. A controvérsia envolveu discussões técnicas acerca de leis delegadas ao presidente para questões de segurança nacional e emergência econômica. Especialistas em direito constitucional vinham alertando para os riscos de expansão excessiva da autoridade executiva sem respaldo claro do Legislativo.
O impasse coloca novamente em xeque a delimitação de poderes entre Executivo e Judiciário nos Estados Unidos e reacende o debate sobre o uso de tarifas como ferramenta de política econômica. Com a confirmação da decisão da Suprema Corte dos EUA, o impacto sobre o mercado interno e as negociações internacionais poderá se estender nos próximos meses, forçando o governo a buscar alternativas de fomento à indústria sem recorrer a impostos aduaneiros extraordinários.

