
Lucy e Rhys Thomas na St. Peters Church durante a reforma que revelou mais de 80 esqueletos medievais (Foto: Instagram)
Lucy and Rhys Thomas, um casal do País de Gales, passou do entusiasmo de reformar uma igreja medieval de 900 anos ao espanto de descobrir mais de 80 esqueletos humanos enterrados sob o piso do antigo templo. A casa, localizada em Peterstone Wentlooge, revelou uma necrópole improvisada que remonta à Idade Média, perfeitamente escondida até começarem as escavações.
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Segundo Lucy and Rhys Thomas, o choque inicial ocorreu quando chamaram um arqueólogo para estimar quantos corpos poderiam encontrar. “Ele previu talvez cinco ou seis esqueletos”, contou Lucy, mãe de cinco filhos. Mas, ao iniciar as escavações, ficou claro haver um número muito maior de restos mortais, numa tradição antiga em que figuras religiosas, nobres ou afluentes eram sepultadas dentro ou sob as igrejas.
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Lucy explica que o desconforto inicial deu lugar à aceitação: “As primeiras exumações foram chocantes, mas acabamos nos acostumando ao processo. Muitos eram casais, pais com crianc̄as, então decidimos mantê-los em seus locais de descanso e continuar a reforma ao redor deles.” Esse cuidado reflete o respeito a vestígios arqueológicos e também às normas que protegem edificações históricas.
A construção, conhecida como St. Peters Church e catalogada como Grade I — o nível máximo de preservação no Reino Unido —, data de 1142. O status de edificação tombada exige a manutenção de elementos originais, como as paredes de pedra, a torre e os sinos centenários. Os Thomas levaram quatro anos para concluir a conversão, mesclando detalhes da arquitetura medieval com as exigências de conforto contemporâneo.
Na área externa, gravuras encontradas no piso de pedra foram reaproveitadas como revestimento de um pátio. No interior, instalaram sistema de aquecimento pelo piso, capaz de manter a temperatura sem remover ou danificar os esqueletos ali presentes. Além disso, há um bar rústico, mobiliário que respeita as estruturas originais da igreja e até uma banheira de hidromassagem que complementa o novo projeto de lazer.
Rhys Thomas, de 45 anos, admitiu que a obra foi um grande desafio: “Tivemos de aprender tudo na prática, consultando a internet e profissionais a cada etapa.” A experiência da dupla mostra como a restauração de um patrimônio histórico pode revelar segredos do passado e transformar um espaço sagrado em um lar surpreendente, sem apagar a memória daqueles que ali repousaram por séculos.

