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Taryn Smith compartilha sensação de liberdade e enfrenta solidão enquanto rema sozinha pelo Atlântico (Exclusivo)

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Taryn Smith parte das Canárias rumo à travessia solo de 3.000 milhas do World’s Toughest Row. (Foto: Instagram)

Em 14 de dezembro de 2025, Taryn Smith, de 25 anos e natural de Omaha, Nebraska, zarpo‍u para competir no The World’s Toughest Row, considerado o desafio individual mais exigente de remo pelo Oceano Atlântico. Cerca de trinta dias após a partida, ela descobriu que o maior obstáculo não era o mar revolto, mas a intensa sensação de isolamento em meio à imensidão azul. Acostumada aos treinos em equipe, nunca imaginou que passar horas sem companhia demandaria tanto preparo emocional e autoconhecimento.

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Desde então, sua rotina torna-se quase milimetricamente cronometrada. Taryn passa entre 10 e 12 horas por dia remando, aproveitando ao máximo as horas de luz, e reserva de seis a sete horas para descansar dentro da cabine. “Acordo algumas horas antes do amanhecer para remar até o primeiro facho de sol, depois como algo leve – geralmente uma barra de granola ou de aveia – e sigo remando até o meio-dia”, revela a atleta. Ao interromper o esforço, ela anota latitude e longitude, verifica níveis de bateria, checa o piloto automático e organiza o espaço para garantir segurança e ordem no convés.

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Mesmo em alto mar, tarefas simples mantém a mente ativa e ocupada. “Eu cozinho, limpo, comunico-me com a equipe de segurança e cuido de mim mesma o tempo todo”, destaca. A disciplina diária evita que o tempo se arraste e impede que pensamentos negativos dominem o humor. Sempre que a exaustão mental ameaça aparecer, ela faz o que chama de “reset de fábrica”: para de remar, escuta música ou executa uma atividade diferente para restaurar o foco.

Ao mesmo tempo em que a solidão foi um choque inicial, outra descoberta ­– positiva – também se impôs com força. “Não penso na minha aparência nem em como sou percebida. Isso tem sido especialmente libertador como mulher”, conta Taryn. “Passamos tanto tempo preocupadas com a forma como somos vistas que, agora, há muito mais espaço na minha cabeça para o que realmente importa.”

A alimentação, embora simples, é vital para manter a energia. Seu cardápio diário inclui refeições liofilizadas de mochilão e petiscos como oleaginosas e doces, somando entre 1.500 e 2.000 calorias. Na cabine de popa, onde guarda equipamentos eletrônicos – do plotador de rotas ao rádio VHF –, ela dorme sentada, protegida do vento e das ondas. Para emergências, carrega caixa de ferramentas, bote inflável, kits médicos, ração extra, purificador manual de água, carregadores reserva, conexão Starlink e dispositivo BGA para acesso à internet. Em situações de mau tempo, usa âncora tradicional e para-âncora submersa que impede o barco de derivar contra o vento.

Fisicamente, Taryn sentiu dores nos joelhos no primeiro dia, seguidas por desconforto no core e uma crise de urticária entre a terceira e a quarta semana, o que dificultou o sono. “Minhas pernas perderam força porque mal caminho, mas meus braços e minhas costas estão fortes, e as bolhas de treinamento deram lugar a calos firmes”, relata. Ainda assim, desistir nunca passou pela sua mente. “Parar significaria ter de redirecionar um navio para me resgatar – seria caro e me deixaria em outro lugar, não em casa.”

O apoio da família, porém, tem sido seu alicerce nos momentos de maior fragilidade. “Ligo para minha mãe e para meu pai sempre que posso – sem esses contatos, não sei se teria condições de continuar”, confessa. Além disso, sua mãe atualiza o público pelas redes sociais, compartilhando relatos, fotos e vídeos que fazem Taryn se sentir vigiada por um grupo de apoio. “Não me sinto sozinha; me sinto muito bem amparada.”

Quando enfim tocar terra firme, a remadora acredita que suas pernas podem ceder antes da emoção tomar conta. “Provavelmente, minhas pernas vão tremer, e minha primeira reação será correr para abraçar meus pais”, imagina. Essa será a recompensa definitiva para meses de preparação, noites mal dormidas e quilômetros vencidos remando contra vento e correnteza.

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