
Belugas e golfinhos do Marineland ganham aval condicional para exportação (Foto: Instagram)
Trinta belugas e quatro golfinhos que permanecem na Marineland, em Niagara Falls (Canadá), finalmente ganharam um fôlego de esperança. A ministra da Pesca Joanne Thompson anunciou aprovação condicional para a emissão dos alvarás de exportação que permitirão a transferência dos animais a instituições americanas. Desde o fechamento do parque em setembro de 2024, essas baleias e golfinhos corriam risco de eutanásia por falta de recursos financeiros. A confirmação final, segundo Thompson, dependerá de informações complementares apresentadas pela Marineland.
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Em reunião com diretores da Marineland, a ministra da Pesca Joanne Thompson avaliou o “projeto de resgate urgente” e considerou o encontro “construtivo”. Ela condicionou o aval à conclusão de dois requisitos fundamentais: exames de saúde detalhados conduzidos por veterinários credenciados e a comprovação de que as futuras instalações oferecerão suporte médico e ambiental adequado. Somente após o envio desses laudos e planos de cuidados definitivos Thompson emitirá as licenças definitivas de exportação.
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O receio de eutanásia tornou-se mais grave após documento obtido pela The Canadian Press revelar que, sem permissão concedida até 30 de janeiro, o parque planejava sacrificar os 30 animais restantes. A ameaça, citada em carta à Associated Press, refletia situação de “dificuldades financeiras severas”. Apesar do estágio de inatividade ao público, as baleias e golfinhos continuaram recebendo cuidados básicos na Marineland, ainda que em infraestrutura considerada deficiente por especialistas.
A aprovação condicional impõe ainda a identificação das futuras casas dos cetáceos. Estão em negociação a Georgia Aquarium (Atlanta), o Mystic Aquarium (Connecticut), o Shedd Aquarium (Chicago) e a rede SeaWorld, todas reconhecidas pelos “mais altos padrões de bem-estar animal”, conforme relatório de Thompson. Esses centros possuem experiência em transporte e adaptação de baleias, condição avaliada como superior ao estado atual dos tanques na Marineland.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, saudou publicamente a decisão, ressaltando que os animais terão “um lar muito melhor do que o espaço inapropriado onde estão hoje”. Críticos, como a ex-treinadora Kristy Burgess, demitida em 2025, já denunciavam deterioração da pintura, infraestruturas comprometidas e falta de equipe, fatores que teriam contribuído para a morte de 20 baleias — um orca e 19 belugas — desde 2019.
Em outubro, Thompson havia negado pedido da Marineland para enviar as belugas ao Chimelong Ocean Kingdom, na China, argumentando que não apoiaria apresentações em cativeiro. Alternativas de santuários marinhos no litoral de Nova Scotia foram sugeridas por grupos conservacionistas, mas consideradas inviáveis pelas autoridades canadenses, que também descartaram reintrodução na natureza.
Especialistas como Andrew Trites, professor da University of British Columbia, elogiam os aquários americanos envolvidos: “São de classe mundial, muito superiores às condições da Marineland.” Ainda assim, Valeria Vergara, da Raincoast Conservation Foundation, alerta que belugas formam laços sociais duradouros e a segregação de grupos familiares pode causar estresse adicional. Enquanto aguardam a conclusão da documentação, as baleias e golfinhos seguem na Marineland — porém agora com destino mais promissor que a eutanásia.

