
Exemplares de Amanita phalloides (Death Cap) em área de coleta na Califórnia (Foto: Instagram)
Dr. Lisa Rodelo, vice responsável de saúde do sistema de saúde do Contra Costa County, confirmou que um homem hispânico na casa dos 60 anos morreu após consumir cogumelos silvestres. O caso, anunciado na terça-feira, 27 de janeiro, assinala a quarta fatalidade registrada em poucos meses na California. As autoridades locais reforçaram o alerta sobre os riscos de coleta e consumo de fungos na natureza, sobretudo em áreas com alta umidade.
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Dentre as espécies mais tóxicas destacam-se o Death Cap mushroom (Amanita phalloides) e o Western Destroying Angel mushroom (Amanita ocreata), apontados pela California Department of Public Health. Ambos produzem amatoxinas, substâncias que afetam diretamente o fígado, causando falência hepática em questão de dias. Na natureza, muitos cogumelos venenosos podem ser confundidos com exemplares comestíveis vendidos em supermercados, pois apresentam cores, formatos e cheiros semelhantes.
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Desde 18 de novembro de 2025, a CDPH registrou 39 casos de intoxicação por Death Cap mushroom, incluindo as quatro mortes confirmadas. As ocorrências foram distribuídas em dez condados diferentes, o que levou ao reconhecimento de um “surto sem precedentes” no estado. Em comunicado, a agência solicitou que pessoas recém-chegadas à California evitem comparar fungos autóctones a variedades comuns em seus países de origem, pois as espécies locais podem apresentar toxicidade letal.
Historicamente, o Amanita phalloides chegou à América do Norte acidentalmente com mudas de oliveiras e carvalhos vindas da Europa, e prosperou em solos úmidos. As amatoxinas resistem a processos de cozimento, congelamento e secagem, o que torna impossível eliminar o veneno por meios culinários. Após a ingestão, a fase inicial de incubação varia de 6 a 24 horas, com sintomas de dor abdominal, náusea, vômito e diarreia. Sem tratamento imediato, podem ocorrer insuficiência hepática, convulsões e óbito.
Dr. Monica Gandhi, especialista em doenças infecciosas da UC San Francisco, reforça que é impossível “tornar seguro um cogumelo que contém amatoxinas”. Ela alerta que “cozinhar ou congelar não inativa o veneno” e que “meia unidade da espécie já pode matar um adulto”. O atendimento médico deve ser procurado assim que houver suspeita de ingestão, e o contato com um centro de controle de intoxicações é fundamental para o encaminhamento adequado.
Como medida de prevenção, a California Department of Public Health recomenda publicar avisos em áreas de coleta e reforçar orientações em comunidades que praticam forrageamento. A entidade mantém um banco de dados com imagens e descrições detalhadas dos fungos venenosos para ajudar no reconhecimento e evitar novos episódios de envenenamento.

