
Neve e frio intenso em Nova York expõem vulnerabilidade de moradores de rua (Foto: Instagram)
Dez pessoas foram encontradas mortas nas ruas de Nova York durante a passagem da tempestade de inverno Fern, anunciou o prefeito Zohran Mamdani. O evento climático trouxe ventos fortes e temperaturas abaixo de zero, criando condições de risco extremo para quem permanece ao relento. Em situações assim, o corpo humano perde calor muito rápido e aumenta o perigo de hipotermia, quadro em que a temperatura corporal cai abaixo de 35 °C e pode causar confusão mental, dificuldade de respiração e até perda de consciência.
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Os números foram divulgados na terça-feira, 27 de janeiro, e ainda não há causas oficiais para cada falecimento. Segundo o Office of the Chief Medical Examiner, seis pessoas morreram durante a noite de sexta-feira, 23 de janeiro, e uma faleceu na madrugada de sábado, 24 de janeiro. O órgão, responsável por investigar mortes não naturais, ainda analisa todos os casos para confirmar se a hipotermia foi o fator principal.
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Na manhã de segunda-feira, 26 de janeiro, uma mulher de 90 anos foi encontrada em Crown Heights, no Brooklyn. Identificada por familiares como Doreen Ellis, que sofria de demência, ela deixou o apartamento durante a noite e permaneceu exposta a temperaturas geladas em um quintal próximo à esquina da New York Avenue com a Sterling Place.
Vizinho de Doreen, Junior Sharpe relatou que ela foi achada usando apenas uma camisola azul, um lenço na cabeça e uma meia; um xale branco estava ao lado do corpo. Pessoas com demência podem se desorientar facilmente, sobretudo quando confrontadas com noites muito frias e escuras, o que reforça a vulnerabilidade desse grupo.
“Ela já havia saído de casa antes, mas em dias de calor. Ninguém imaginava que ela enfrentaria esse frio intenso. Simplesmente se perdeu”, contou Sharpe, lembrando como a confusão mental decorrente da demência e dos baixos graus pode levar a caminhadas perigosas.
“Não sabemos ainda se todos os casos serão oficialmente classificados como hipotermia, mas é fundamental que cada nova-iorquino fique atento aos vizinhos e familiares”, disse Mamdani, ressaltando a necessidade de observação mútua em situações extremas.
Para enfrentar a onda de frio, o prefeito anunciou ampliação dos serviços de emergência, com reforço de equipes de assistência à população sem-teto e ativação de protocolos de Code Blue, plano da cidade que intensifica abrigos e acolhimento durante crises climáticas. Além disso, foram abertas dez novas unidades de aquecimento — duas em cada distrito.
O rigor do frio desta temporada é considerado dos mais severos dos últimos anos em Nova York. Profissionais de saúde alertam para o aumento de casos de ferimentos por congelamento e hipotermia, e lembram da importância de manter roupas adequadas, proteger as extremidades do corpo e procurar ajuda imediata em abrigos aquecidos quando não for possível permanecer em residência aquecida.

