
Vista aérea da costa de K’gari, na Austrália, palco da tragédia envolvendo dingos (Foto: Instagram)
Piper James, de 19 anos, foi localizada sem vida em uma das praias de K’gari (Fraser Island), em Queensland, Austrália, cercada por uma alcateia de dingos — os cães-selvagens nativos do país. Sua mãe, Angela James, descreve a filha como uma jovem cheia de coragem e amor pela vida, certa de que Piper esteve até o último instante lutando pela sobrevivência. Piper havia viajado sozinha para a Oceania em busca de novas experiências, mas encontrou um desfecho trágico em um dos destinos mais remotos e apreciados pelos aventureiros.
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O relato de Angela James ao Australian Broadcasting Company (ABC) revela a dimensão da dor de uma mãe. “Ela amava a vida, era corajosa e forte, e eu sei que lutou até o fim”, disse Angela, emocionada. Segundo ela, Piper se tornou não apenas sua filha, mas também sua melhor amiga. “Minha vida nunca será a mesma. Só sei que preciso encontrar um pouco de felicidade novamente, se não por mim, ao menos por ela”, completou.
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Na manhã de segunda-feira, 19 de janeiro, Piper saiu para nadar por volta das 5h, horário local, e em cerca de uma hora seu corpo foi achado por guardas florestais. Wide Bay District Inspector Paul Algie revelou em entrevista que o cadáver apresentava ferimentos compatíveis com interferência dos dingos, incluindo marcas defensivas. Ainda não está definido se Piper morreu por afogamento ou em decorrência do ataque dos animais: o resultado do exame post-mortem será fundamental para esclarecer a causa exata do óbito.
K’gari, antigamente conhecida como Ilha Fraser, é considerada a maior ilha de areia do mundo e abriga uma das populações de dingos mais antigas e protegidas da Austrália. As autoridades locais recomendam cautela, como não nadar sozinho em áreas isoladas e respeitar as placas de alerta; ainda assim, muitos visitantes subestimam a força e o comportamento selvagem desses cães. Estudos sobre os dingos indicam que, embora raramente ataquem seres humanos, podem reagir quando sentem fome ou percebem movimento inesperado na praia.
Piper trabalhava como bombeira voluntária na Colúmbia Britânica, Canadá, e era apaixonada por escalada em rocha e trilhas de moto off-road. Angela contou que, após percorrer diversos pontos turísticos ao longo da costa leste australiana, Piper voltou a K’gari para atuar em um programa de aventura por seis semanas. Durante essa temporada final, ela teria extraviado o celular e, na busca por sinal, seguido com o aparelho de um amigo até a faixa de areia onde foi encontrada.
O pai, Todd James, também prestou sua homenagem nas redes sociais. Ele lembrou com orgulho o espírito de independência de Piper: “Porque eu tenho 18, e vocês não podem me impedir!”, recordou ter ouvido da filha ao contar que viajaria. Todd salientou que Piper trabalhava duro para depois “viver intensamente”, e que essa determinação refletia o sonho de explorar o mundo. “Lembraremos para sempre de sua risada contagiante e de seu jeito gentil. Admiro sua força e vontade de ir atrás de cada objetivo”, escreveu.
A avó, Penny Vanalstine Marshall, encerrou a série de homenagens em uma publicação no Facebook: “Até nos encontrarmos de novo, Piper, voe com os anjos. Sentiremos sua falta para sempre! Nossos corações estão despedaçados!”. O caso segue sob investigação das polícias de Queensland, e a família aguarda o laudo pericial que poderá elucidar os eventos daquela madrugada.

