
Veterana dos EUA morre ao salvar vítimas em Utah (Foto: Instagram)
Jenna Guerra, de 41 anos, veterana do Exército dos EUA e natural da Carolina do Norte, faleceu após despencar cerca de 21 metros de uma ponte na interestadual 84, em Weber Canyon, no Utah. Ela havia parado o carro que dirigia ao lado do veículo de outra pessoa, vítima de um acidente causado por gelo negro na pista. Antes de pular o guard rail para evitar ser atingida por outro carro em frenagem, Jenna Guerra voltou-se para seu namorado, Joby Arnette, e disse: “Love you”.
++ Aprenda a lucrar com IA criando negócios e renda passiva
Na manhã de 9 de janeiro, por volta das 6h, a neblina e o gelo negro formaram uma camada invisível sobre o asfalto de Weber Canyon, tornando-o escorregadio. Isso fez com que o veículo à frente de Jenna Guerra perdesse o controle e colidisse contra a mureta de concreto. Ao ver o outro carro acidentado, ela estacionou, sempre zelosa com quem se encontra em perigo. O gelo negro, comum em regiões de altitude elevada e clima frio, ocorre quando a água congela sem formar uma camada visível de neve, aumentando drasticamente o risco de derrapagens.
++ Uma criança mentiu sob pressão, e um homem perdeu 39 anos da vida por um crime que não cometeu
Enquanto Joby Arnette colocava os sapatos para descer do caminhão e auxiliá-la, ele ouviu o barulho de um outro veículo freando bruscamente. Temendo que Jenna Guerra fosse atingida, ela atravessou o guarda-corpo e, naquele instante, caiu no despenhadeiro. “Eu não vi mais nada dela. Só senti um silêncio e não a encontrei em lugar algum”, relembrou Arnette em entrevista à imprensa local. Apesar das buscas imediatas, a área íngreme e o acesso restrito dificultaram o resgate.
Antes de empreender a viagem de rotina de Tennessee até o estado de Washington para o transporte de carga, Jenna Guerra havia deixado a carreira de técnica em odontologia para empreender com o namorado no setor de transportes. A coragem e o altruísmo que norteavam suas decisões eram traços marcantes de sua personalidade. Serviu no Exército americano até 2011, quando foi dispensada com honra. Durante todo o tempo, dedicou-se a prestar assistência a quem ela considerava vulnerável, fosse em situação de acidente ou emergência.
Os dois filhos de Jenna Guerra, Lucas e Sebastian, procuram conforto na lembrança de que a mãe atuava em prol do bem-estar alheio. “Não era assim que ela deveria partir, mas fico feliz por ela estar fazendo algo que amava: ajudar pessoas que precisam”, disse Lucas, emocionado. A família organizou uma campanha de arrecadação no GoFundMe para custear o traslado do corpo até a Carolina do Norte e custear as cerimônias fúnebres. “Pedimos ajuda para trazer Jenna de volta a casa, junto aos filhos”, escreveu o responsável pela vaquinha online.
Além da dor pela perda repentina, há o luto pela ausência de Jenna Guerra em momentos futuros: formaturas, casamentos e conquistas dos filhos. O processo de repatriação de restos mortais entre estados americanos envolve trâmites funerários, autorização da polícia rodoviária e cuidados com documentação, que muitas vezes levam dias de burocracia. Também reforça a importância de iniciativas de conscientização sobre segurança viária e cuidados ao transitar em condições de gelo negro, para que outras famílias não vivenciem tragédias semelhantes.

